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Vítima de violência, mãe resiste ao suicídio e recebe ajuda da LBV

Uma trajetória de vida que superou o abuso sexual, a dependência química e a violência doméstica.

Pelas ruas de Manaus, Amazonas, não se imagina que dentro de uma comunidade vulnerável existe uma viela bem estreita, improvisada por tábuas, que leva a nossa equipe ao lar de mais centenas de famílias.


A extrema vulnerabilidade do local chama a atenção, mas passa despercebida pelos moradores da capital manauara.

Érica de Oliveira

No trajeto, podemos observar todo o acúmulo de lixo ao redor. São dejetos, restos de comida, móveis quebrados e carcaças de animais. Em cima dos igarapés, a sustentação frágil é o que garante que o lar de todos não sofra com todos os lixos trazidos pelas cheias dos rios da região.

Érica de Oliveira
Falta de saneamento básico está entre as principais reivindicações dos moradores do local.


Lá, encontramos a família de Rute. Os dois filhos são atendidos pela Legião da Boa Vontade por meio do seu Centro Comunitário de Assistência Social, localizado no bairro Cachoeirinha. Quem observa o ar risonho das crianças e da mãe não imagina as situações já enfrentadas por eles. “A história que eu vou contar é uma história longa. Eu já passei muita coisa ruim na minha vida e não quero voltar a passar.”

Silmara Preda
Afim de compartilhar a sua história para agradecer o apoio da Legião da Boa Vontade, Rute recebeu carinhosamente a equipe da LBV Brasil.


A região onde mora Rute Tavares de Aquino e a sua família é uma das chamadas “zonas vermelhas” de Manaus: local onde o consumo de drogas e a criminalidade têm índices elevados. Para a mãe, isso só significava uma coisa: risco dos seus filhos seguirem o caminho das drogas. Mas, graças à ajuda da Legião da Boa Vontade, o rumo foi outro.

Érica de Oliveira

Daniel e Davi, atendidos pela LBV no programa Criança: Futuro no Presente!

Desempregada, Rute e o marido se esforçam, juntos, em trabalhos informais, para completar a renda da casa. 

A mãe sofria violência doméstica e, por falta de informação, não denunciava o crime às autoridades. Em uma das palestras assistidas na LBV para as famílias atentidas, compreendeu que o que sofria era violência e foi direcionada, por meio da equipe da Instituição, a conhecer a Lei Maria da Penha. 

Érica de Oliveira
O Amor dos filhos pela mãe a deu forças para que ela se recuperasse da situação que sofria.

“A LBV ajudou no processo de transformação aqui em casa, o meu marido me batia muito e eu tinha vergonha de contar isso. Numa dessas vezes que fui levar os meus filhos na LBV era dia de homenagem para as mulheres e estava tendo uma palestra sobre a Lei Maria da Penha. Eu participei desse encontro e foi como se abrisse uma caixa para mim. Eu soube de todas as coisas que eu precisava. Foi o dia que eu decidi que não ia mais apanhar. Lá, eu soube todos os meus direitos e outras coisas que eu não conhecia”.

Érica de Oliveira

Além da violência doméstica sofrida, a mãe carregava uma outra chaga no seu coração: o abuso sexual sofrido na infância: “Eu sofria abuso quando era mais nova e era muito difícil. Eu era criança e meus tios inventavam de brincar comigo, e eu não entendia direito, tinha 5 anos. Aos 14 anos eu soube que esse crime poderia ser denunciado por mim, então eu virei para os meus tios e disse: ‘Não! Vocês não vão mais fazer isso comigo. Eu vou denunciar vocês na delegacia se vocês não me deixarem em paz!’. E daquele dia em diante, graças a Deus, nunca mais aconteceu”.

O desamparo da família e a situação de abuso vivenciada desde cedo a levaram a começar a consumir drogas aos 24 anos. Foram 10 anos de dependência. “Já passei pelo mundo das drogas. Era como se eu estivesse algemada numa jaula. Quando você tem o vício e dá vontade é como se você estivesse com fome. Eu conheci a droga por má companhia. É como se eu tivesse levado um veneno para sempre. Quando eu fui ver, eu já era uma viciada e eu consumia enquanto meus filhos dormiam”.

Érica de Oliveira

Resistir ao suicídio

Em profunda depressão, os pensamentos da mãe já não mais lhe aconselhavam a sair do mundo das drogas, mas a acabar com tudo da maneira mais trágica: com o suicídio.

“Teve um dia que eu ouvi uma voz que disse ‘Tem um jeito... Se mata. Só desse jeito você consegue dar fim a esse sofrimento. Pega uma corda, amarra no teto e pronto. É rápido!’ Aí eu parei, pensei e veio uma outra voz ‘Não faça isso, não. O que será dos seus filhos? Se você fizer isso, eles ficarão sós.’ E aí eu resolvi continuar vivendo e sair desse mundo por conta dos meus filhos”.

Érica de Oliveira
O incentivo da Instituição para os estudos dos filhos Daniel e Davi.

Ajuda da Legião da Boa Vontade

A Legião da Boa Vontade veio para a ajudar a família de diversas formas: além de acolher os dois filhos na Instituição, a equipe multidisciplinar resgatou Rute de todas as formas que ela precisava: “Sabe quando uma pessoa ganha um grande prêmio da noite para o dia? Assim que eu me sentia. A LBV me ajudou a entender que eu tinha uma saída para a violência que eu sofria e me deu todo o apoio pra sair do mundo das drogas. Lá, os meus filhos recebem educação, alimentação... Eu não tenho o que me preocupar. A LBV é uma mãe do meu lado para me dar apoio. A Legião da Boa Vontade é a coisa mais importante para mim”.

Sensibilidade e determinação: é assim que podemos definir a trajetória de Rute, que persistiu e se curou das drogas e, graças ao carinho recebido dos filhos, despertou o amor que tinha, há tanto tempo, latente no coração.

“Lá [na LBV] é como se eu recebesse o apoio de uma mãe. O apoio que eu não tive da minha família eu tive da LBV”.

Érica de Oliveira
Por iniciativa do pequeno Davi, cada integrante da família fez uma letra em LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) que representa o nome da LBV. Eles aprendem o idioma na oficina que participam na unidade da Instituição.

Apesar de todos esses desafios relatados por Rute — que parecia não ter saída — ela escolheu, por meio do AMOR que sente pelos filhos, sair do mundo das drogas, se informar sobre os seus direitos e procurar ajuda para oferecer o melhor a eles. Mesmo ainda vivendo em um local muito vulnerável, é notável que o sorriso no rosto deles é verdadeiro. Existe amor, existe respeito e existe a vontade de mudar e incentivar os filhos a terem um futuro melhor!

VOCÊ AJUDA, A LBV FAZ!

A história de Rute é exemplo de superação e persistência no Bem. Assim como ela, muitas outras mães e pais, pelo Brasil, são amparados pela LBV, graças à ajuda do povo brasileiro, que confia e contribui para manutenção do programas e projetos desenvolvidos pela Instituição em seus Centros Comunitários e nas escolas. 

Visite, apaixone-se e ajude a LBV! Em Manaus, AM, o Centro Comunitário de Assistência Social está localizado na Av. Presidente Castelo Branco, 997 - Cachoeirinha - (92) 3215-7930.