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Protagonismo pela música

De atendida a regente voluntária: como a LBV me incentivou a promover a inclusão de mulheres na Arte.

Giovana Mauro

JULIANA GLÓRIA, 28 anos, é ex-atendida pela LBV em Goiânia/GO. Atua como regente voluntária do Coral Comunitário Nair Torres, da LBV, e estuda piano no Instituto de Educação em Artes Gustav Ritter.

Por Juliana Glória

Cheguei à Legião da Boa Vontade em 1994, aos 3 anos de idade. Na época, minha mãe, Maria Helena Alves de Carvalho, precisava trabalhar. Para isso, contou com o apoio da unidade da LBV localizada em Goiânia/GO, onde eu e a minha irmã, Suzana Alves, fomos acolhidas. Esse foi um período crucial em nossas vidas. Diariamente, lá recebíamos todas as refeições e os cuidados necessários, como atenção, afeto, segurança e lazer, e participávamos das várias atividades oferecidas ao longo do dia.

Lembro-me de que gostava muito dos momentos que envolviam o contato com a música. Prova disso é eu ter ingressado, aos 7 anos, no Coral Ecumênico São Francisco de Assis, formado por crianças atendidas pela Instituição na capital de Goiás. Aos 16, passei a fazer parte do Coral Ecumênico Boa Vontade, no qual permaneço até hoje.

É uma alegria constatar quanto a Entidade dá espaço para que minha comunidade atue no meio artístico. Exemplos não faltam. O Festival Internacional de Música da LBV, que a Organização promove anualmente, é um deles. O evento incentiva os jovens a compor canções com temas que favorecem ideias para uma sociedade mais justa e fraterna — e isso com olhar crítico sobre assuntos diversos, sempre sob a ótica da Espiritualidade Ecumênica.

Outra oportunidade empolgante é o Espetáculo Música Legionária, que reúne, anualmente, corais do Brasil, formados por crianças, jovens e adultos de todas as idades, em Brasília/DF, durante as festividades de aniversário do Templo da Boa Vontade (TBV), fundado em 21 de outubro de 1989. Apresento-me nele desde a primeira edição do evento, realizada em 2010.

Participar desses acontecimentos é de grande importância para mim, pois tenho a chance de expressar mensagens fraternas enquanto canto e de trocar conhecimentos com cantores das cinco regiões do país. Essas iniciativas, sem dúvida, fortalecem o trabalho que a Entidade promove nas artes.

CONVITE AO PROTAGONISMO PARA PROMOVER INCLUSÃO
Atualmente, também sou regente voluntária do Coral Comunitário Nair Torres, da LBV. Trata-se de um grupo composto por mulheres que têm o propósito de transmitir alegria às pessoas por meio da Cultura e da Arte. A Música Legionária, como este gênero é conhecido há décadas, diferencia-se dos demais estilos ao criar e divulgar composições que fomentem valores espirituais, éticos e ecumênicos — entre estes o Amor Fraterno, o Respeito e a Solidariedade. Além de estreitar os laços e estimular o companheirismo e a amizade entre as componentes, cantar neste grupo aumenta a autoestima dessas senhoras, que passam a se sentir ainda mais valorizadas por desenvolver habilidades musicais e a capacidade de se expressar.

Antes, não me enxergava como maestrina, mas tive essa oportunidade na Organização e, desde o dia em que me tornei regente, procuro aprimorar o que sei, a fim de estar preparada para ensinar algo a mais para quem faz parte do Coral Comunitário Nair Torres, da LBV. Sinto-me muito realizada e feliz por exercer esse trabalho.

IMPACTO POSITIVO

Nessa função, tenho conseguido, ainda, identificar coralistas afinadas para fazer o papel de solista. Uma delas é soprano e, após seguidos ensaios, ficou muito motivada com a oportunidade de interpretar o solo de uma canção. Foi encantador vê-la no palco fazendo uma boa apresentação, apesar do nervosismo e das dificuldades. É maravilhoso identificar o potencial das pessoas e incentivá-las. Na verdade, eu sou a maior beneficiada com essa ação.

Tudo isso também despertou em mim uma nova possibilidade de profissão, pois, embora eu seja formada em Design de Interiores, não me encontrei nessa área. Hoje, percebo que a carreira que desejo seguir está relacionada à música. Estudo piano no Instituto de Educação em Artes Gustav Ritter, em Goiânia/GO, e procuro capacitações para o meu aperfeiçoamento.

Sou muito grata por tudo o que recebi na Legião da Boa Vontade, porque o contato com a música na infância fez toda a diferença no meu desenvolvimento pessoal e profissional, como continua fazendo na vida de tantas crianças amparadas pela Entidade. Agradeço igualmente ao compositor Paiva Netto, diretor- presidente da LBV, por incentivar o ensino de música nas escolas e nos Centros Comunitários de Assistência Social da Instituição do Brasil e do exterior.