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Os primórdios da LBV

A hora de começar

Confira o conteúdo completo da revista BOA VONTADE 70 anos da LBV

A semente da Legião da Boa Vontade foi lançada dois anos antes de sua oficialização, ocorrida em 1o de janeiro (Dia da Paz e da Confraternização Universal) de 1950. Era 6 de janeiro (Dia dos Reis Magos, data de alto significado místico-religioso) de 1948, e Alziro Zarur (1914-1979), saudoso fundador da LBV e um dos maiores nomes do rádio desde a década de 1930, a convite dos amigos Werneck Genofre e Agostinho Pereira de Souza (1889-1955), assistiu a uma sessão da Federação Espírita Brasileira (FEB) no Rio de Janeiro/RJ, da qual participava dona Emília Ribeiro de Mello, respeitável médium. Aquela senhora de cabelos brancos olhou insistente e piedosamente para o visitante e, ao término das atividades da reunião, aproximou-se dele e disse: “Meu Irmão, São Francisco de Assis esteve todo o tempo aí ao seu lado e manda dizer-lhe que é hora de começar o combinado”.

Arquivo BV

Alziro Zarur com a médium Emília Ribeiro de Mello, na Federação Espírita do Brasil, no Rio de Janeiro.

Reprodução BV

São Francisco de Assis, patrono da LBV.

O fato mexeu profundamente com ele, que ao ler o livro I Fioretti (“As florezinhas”, em tradução livre), um relato da vida de Francisco de Assis, teve inspiração para o trabalho a ser realizado. A admiração de Zarur por São Francisco de Assis era marcante, a ponto de inspirá-lo na elaboração das bases da LBV, a qual, ao ser fundada por ele, teria como Patrono o próprio Il Poverello, mais tarde proclamado por Paiva Netto o Santo do Ecumenismo.

Posteriormente, a origem espiritual da missão de Zarur foi confirmada pelo Espírito Emmanuel, por intermédio da psicografia do sempre lembrado médium Chico Xavier (1910-2002): “Irmão Zarur, muita paz! A sua tarefa, na sementeira da Boa Vontade, resulta de compromissos sublimes, assumidos antes da imersão nos fluidos do corpo físico. E, seguido por toda uma legião de companheiros que o assistem, carinhosamente, do Plano Invisível, é igualmente observado pelos supervisores dos nossos destinos, que lhe creditam o devotamento à obra cristã do Evangelho entre os homens, por lastro abençoado de sua felicidade futura (...)”.

Os primeiros passos do planejamento da LBV foram na Associação Brasileira de Imprensa – ABI

Zarur defendia, já em meados da década de 1920, a confraternização entre os seres humanos, independentemente da crença religiosa destes. Por isso, dias depois de abrir as portas da Instituição, um gigantesco passo foi dado no campo da convivência inter-religiosa, com a realização da pioneira Cruzada de Religiões Irmanadas. A primeira edição desta ocorreu em 7 de janeiro de 1950, no salão do Conselho da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro/RJ, após sucessivas reuniões preparatórias na sala da diretoria dessa prestigiada casa, em outubro, novembro e dezembro de 1949. O fundador da Legião da Boa Vontade convocou e dirigiu a memorável sessão.

Arquivo LBV
Em 7 de janeiro de 1950, Alziro Zarur comanda a primeira reunião ecumênica oficial da Legião da Boa Vontade, a Cruzada de Religiões Irmanadas, pela qual pioneiramente preconizava o inter-relacionamento religioso. O encontro foi realizado no salão do Conselho da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). No evento, falaram sete oradores dos mais diversos segmentos: Salustiano César, reverendo protestante; Teles da Cruz, católico; Murilo Botelho, esotérico; Leopoldo Machado, espírita; Eugênio Figueiredo, livre-pensador; Samuel Linderman, judeu; e Ascânio de Farias, positivista. 

A partir daí, a LBV viu o ideal de Solidariedade, Altruísmo e Ecumenismo sem fronteiras pregado por ela conquistar corações e harmoniosamente congregar pensamentos de religiosos, filósofos, cientistas, livres-pensadores e ateus. Crescia, a cada reunião no salão do Conselho da ABI, o número de pessoas presentes. Surpreso com o sucesso daqueles encontros, Herbert Moses (1884-1972), então presidente da Associação Brasileira de Imprensa, que construiu a famosa sede da heroica entidade, declarou: “Zarur fez um verdadeiro milagre juntando tantos inimigos cordiais na LBV”.

Em reconhecimento ao esforço de Alziro Zarur em prol da liberdade religiosa, a ele foi concedida a Medalha do papa Paulo VI “por serviços prestados à causa do Ecumenismo” — láurea entregue pelo núncio apostólico dom Sebastião Baggio (1913-1993).

Arquivo BV
Reprodução do exemplar nº 1 da revista BOA VONTADE, de maio de 1956, com reportagem sobre a Cruzada de Religiões Irmanadas, ocorrida em 7 de janeiro de 1950, no salão do Conselho da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Esse aspecto vanguardeiro foi ressaltado pela consagrada atriz Fernanda Montenegro, que, em 1997, recebeu a Comenda da Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumênica, na categoria “Arte e Cultura”, conferida pelo Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV (veja na página 296). Nesse mesmo ano, ela esteve no Templo da Boa Vontade, o monumento mais visitado de Brasília/DF, segundo a Secretaria de Turismo do Distrito Federal, e destacou assim o Ecumenismo defendido pela Instituição: “A Legião da Boa Vontade tem uma palavra e uma presença de conforto há muitos anos, e isso me toca. Já nos primórdios da Legião se falava do fato ecumênico. Isso, João XXIII [1881-1963] ainda não havia conceituado dentro da Igreja Católica, por exemplo. E, hoje em dia, é fundamental você respeitar os caminhos que o mundo tem para chegar a Deus, pois Ele é um só. Um abraço também ao Paiva Netto, que é uma pessoa extremamente gentil e empreendedora”.

Clayton Ferreira

Paiva Netto e sua esposa, sra. Lucimara Augusta, saúdam o ilustre jornalista dr. Maurício Azêdo (1934-2013), saudoso presidente da ABI. 

“Entre outubro e dezembro de 1949, Alziro Zarur iniciou na ABI as reuniões preliminares que resultariam na criação da Legião da Boa Vontade. Para nós, da ABI, é muito gratificante registrar este fato, dados os serviços que a Legião da Boa Vontade tem prestado ao povo brasileiro e, especialmente, às camadas mais carentes e necessitadas.”

Sobre a atuação da Legião da Boa Vontade — “Nossa admiração pelo desempenho da LBV no campo social, no qual essa benemérita instituição presta notável contribuição à melhoria das condições de vida e à elevação da autoestima das pessoas, alcançadas por seu trabalho de assistência ao próximo, como demonstrado no caso do numeroso segmento de concidadãos indicados pela ABI. Com as expressões do nosso elevado apreço, firmo-me cordialmente.”

Dr. Maurício Azêdo (1934-2013), ex-presidente da Associação Brasileira de Imprensa.

Flávio Oliveira

O dirigente da LBV em encontro cordial com o sempre lembrado dr. Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000), também presidente da Casa do Jornalista. Prestigia esse momento a consagrada escritora Nélida Piñon, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras.

“Significativo é o trabalho da Legião da Boa Vontade, criando por todo o país instituições de assistência, distribuidoras de alimentação, lares para crianças, albergues e escolas de alfabetização e ensino profissional. Referência especial merece a Ronda da Caridade à meia-noite. Nas grandes cidades, a Ronda socorre famintos com a 'Sopa dos Pobres'. Não posso deixar de aprovar qualquer movimento de Caridade, sobretudo quando tem a presença do Paiva Netto.” Dr. Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000), jornalista e ex-presidente da Associação Brasileira de Imprensa.

Lucian Fagundes
Paulo Jeronimo de Sousa

“Nós temos muito orgulho, porque a LBV nasceu dentro da ABI. A Associação Brasileira de Imprensa é uma entidade histórica, e esse fato engrandece ainda mais a nossa história. Paiva Netto tem nossa eterna gratidão.” Paulo Jeronimo de Sousa (Pagê), jornalista e presidente da Associação Brasileira de Imprensa.

Divulgação

Domingos Meirelles.

“A LBV começou na ABI. O Alziro Zarur usava o auditório da ABI para certas manifestações. Ele tinha também um programa de rádio. Na verdade, pode-se dizer que a LBV se consagra como instituição na própria ABI.” Domingos Meirelles, jornalista, apresentador e ex-presidente da Associação Brasileira de Imprensa.

 

A LBV Nasceu nos meios de comunicação

Para saudar o nascimento da nova instituição, o jornal O Globo, do jornalista e empresário de mídia dr. Roberto Marinho (1904-2003), publicou, à época, dois editoriais. Um dos textos, de 26 de janeiro de 1950, anuncia: “Há um aspecto, na recente criação da LBV, que merece ser assinalado e posto no devido relevo. Trata-se da verdadeira confraternização de todos os credos religiosos que se processou no referido movimento, destinado, sobretudo, a amparar moral e materialmente os enfermos e necessitados. (...) Não são comuns acontecimentos desta ordem nem frequentes mobilizações de tamanha envergadura moral. (...)”. Não foi, portanto, sem motivo que, igualmente, na metade do século 20, o filósofo e sociólogo italiano Pietro Ubaldi (1886-1972) declarou: “A Legião da Boa Vontade é um movimento novo na História da humanidade. Colocará o Brasil na vanguarda do mundo”.

Arquivo BV

O saudoso jornalista Benedito Mergulhão (1901-1966), em A Noite, edição de 18 de junho de 1956, recordou: “Considerando que todas as religiões desempenham um papel preponderante no aperfeiçoamento espiritual do homem, a LBV teve a feliz iniciativa de reunir representantes de todos os credos que se professam nesta capital e, confraternizados, cada um de per si expor as bases das respectivas doutrinas. Dessa forma, a Legião da Boa Vontade levou a efeito, em outubro, novembro e dezembro de 1949, reuniões em que falaram representantes do catolicismo, protestantismo, espiritismo, budismo, maometismo, positivismo, bramanismo, judaísmo, esoterismo, umbandismo etc.”.

O testemunho do Saudoso Chico Anysio

Quem atestou a mudança que ocorreu a partir da ordem espiritual recebida por Zarur foi o saudoso Chico Anysio (1931-2012), consagrado humorista, ator, escritor e pintor brasileiro, que, em entrevista à Boa Vontade TV, em setembro de 2003, contou: “Faço parte do seletíssimo grupo de pessoas para quem Alziro Zarur, pela primeira vez, falou na Legião da Boa Vontade. Eu era radioator da Mayrink Veiga; já tinha saído da Guanabara. O nosso diretor no radioteatro era Zarur. Naquele dia, tínhamos ensaio de um capítulo de novela. Devia ser umas seis e meia [da tarde] quando ele chegou dizendo que havia recebido uma mensagem divina. Estava emocionadíssimo. Tinha recebido um aviso, uma missão que lhe fora dada, e ninguém brincou, ninguém zombou. Todo mundo percebeu que havia uma verdade grande nele, porque era uma pessoa muito séria; era muito duro, muito firme. Ele não pôde realizar o ensaio. Urbano Lóes (1917-1980) assumiu seu lugar no dia. E, depois do ensaio, nós todos fomos lá. Todo mundo gostava dele. (...) Havia um fogo queimando dentro do Zarur. Uma luz brilhava dentro dele, alguma coisa. (...) Dali em diante, ele se transformou. Então, fui o primeiro a saber disso”.

Prosseguiu o relato Chico, lembrando-se do início da programação da LBV, no período áureo do rádio brasileiro. “Ele abandonou tudo. Não foi mais diretor do radioteatro. Fez um programa, [chamado] Hora da Boa Vontade, às cinco da tarde. (...) Criou a Legião da Boa Vontade. Era a ‘Sopa do Zarur’, a ‘Sopa dos Pobres’. Os mendigos do Rio não passaram mais fome, porque a sopa que distribuía matava a fome de todos. Sei da seriedade, que ele não fez disso um meio de ganhar dinheiro, de enganar ninguém. Faço doações para a LBV; várias vezes já as fiz. Na minha exposição* no Templo da Boa Vontade, em Brasília/DF, farei outra e continuarei ajudando, porque a LBV é da maior seriedade. Eu estou abençoado com a minha pintura aqui [no TBV]. Deus está aqui comigo! É uma coisa muito divina, demais! (...)”

João Preda
Da esquerda para a direita, Lucimara Augusta, Paiva Netto, Chico Anysio (1931- 2012) e Malga di Paula, em setembro de 2003. Os casais aparecem à frente do quadro Ponta Grossa (1993). “É uma das telas de que mais gosto. Fico feliz em vê-la aqui, em seu gabinete de trabalho”, confidenciou o autor da obra, Chico Anysio, a Paiva Netto.

Chico Anysio fala sobre o consolidador da LBV: Paiva Netto

Ainda na entrevista à Boa Vontade TV, o saudoso humorista declarou: “Paiva Netto é uma pessoa importante, porque conseguiu seguir à risca os preceitos de Zarur, que era um homem muito sério. E assim Paiva Netto é, sem ferir ninguém, sem contundir, sem chocar... O que a Legião da Boa Vontade cresceu com o Paiva Netto é inacreditável; foi para o mundo todo! Ele foi brilhante, brilhante mesmo; deu visibilidade a ela. O trabalho com as crianças, com os velhos, com tudo! Colaboro com a LBV sempre que posso, porque acho importante o trabalho que ela faz”.

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 * A primeira mostra de Chico Anysio (1931-2012) em solo brasiliense, intitulada “Volta ao mundo sem sair de casa”, foi grande sucesso na Galeria de Arte do TBV, em setembro de 2003. A exposição representou para o público uma excelente oportunidade de ver a criatividade desse artista polivalente impressa em dezenas de painéis de acrílico. Pintor fovista e apaixonado por paisagens, Chico apresentava em seus trabalhos colorida brasilidade. Também as raízes do artista, no Ceará, podem ser notadas pelos tons muito luminosos e vibrantes.

 

Rádio Globo – Rio de Janeiro/RJ

Hora da Boa Vontade: o embrião da LBV

Divulgação

Este microfone é uma das relíquias, conservadas por Paiva Netto, que se encontram em exposição no Memorial Alziro Zarur, no Templo da Boa Vontade, em Brasília/DF, Brasil.

Dando corpo a vocação de comunicar às massas, que seria uma marca da Instituição, em 4 de março de 1949, Alziro Zarur iniciou o programa Hora da Boa Vontade, na Rádio Globo, do Rio de Janeiro, o prenúncio da LBV. A Obra surgiria pouco tempo depois, em 1o de janeiro (Dia da Paz e da Confraternização Universal) de 1950, com o lema “Por um Brasil melhor e por uma humanidade mais feliz”, pregando o Apocalipse de Jesus.

O programa, que visava socorrer os sofredores e toda sorte de desamparados materiais e espirituais, conquistou grande audiência. Com uma palavra de conforto e alento aos carentes do corpo e da Alma, Zarur tomou o primeiro passo para o surgimento da LBV e sua notável tarefa apostolar.

Os ouvintes admiravam-se ao ouvir músicas natalinas em pleno meio do ano. Em seguida, a voz do radialista trazia a explicação: o espírito solidário do Natal deve ser permanente, pois as pessoas padecem e passam fome todos os dias.

Arquivo BV
Zarur apresentou durante anos o famoso programa Jesus Está Chamando!, pela Rádio Mundial do Rio de Janeiro/RJ, antiga Emissora da Boa Vontade.

O jornalista Ricardo Viveiros, que àquela altura ingressava na profissão, rememora assim a época: “Eu era menino; trabalhei simultaneamente com Zarur em algumas emissoras no Rio de Janeiro, como a Rádio Mundial, a Nacional, rádios pelas quais passei no início da minha carreira de repórter. Eu me lembro da figura dele diante do microfone. Recordo-me dele fazendo a Ave, Maria!, às seis da tarde. Parava o Rio de Janeiro para rezar com ele”.

Uma semana depois de estrear o Hora da Boa Vontade, o fundador da LBV concedeu marcante entrevista ao radialista evangélico Adolfo Cruz (1923-2010), no famoso Cinelândia Matinal, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Na ocasião, prognosticou a marcha do Ideal da Boa Vontade pelo mundo. Demonstrando preocupação com o entendimento das criaturas, declarou: “O Brasil precisa, agora mais do que nunca, da união de todos os seus filhos”. O surgimento do programa Hora da Boa Vontade causou alvoroço nos meios radiofônicos, pois era de estranhar que um homem com tamanha fama pudesse dedicar-se à religiosidade ecumênica e à Fraternidade.

Zarur prosseguiu em sua jornada, elaborando os estatutos da LBV.

Vivian R. Ferreira
Ricardo Viveiros

 

“Recordo-me dele [Alziro Zarur] fazendo a Ave, Maria!, às seis da tarde. Parava o Rio de Janeiro para rezar com ele.” Ricardo Viveiros, jornalista

 

Aneliese Oliveira
Elza Soares

“Eu me lembro quando fui para a Rádio Mundial e comecei a cantar. Fazia parte com o nosso Alziro Zarur. Fui algumas vezes visitar as crianças da LBV. Eu gosto de estar presente, de saber o que está acontecendo. É muito importante que todos saibam o que é o Paiva Netto; o que essa Instituição faz, que não é fácil, não é brincadeira. E tudo o que se faz neste país de bom grado é muito difícil alcançar. (...) Ao meu amigo Paiva Netto, meu grande exemplo de vida, o meu beijo, o meu carinho, pela coragem de manter a LBV de pé.” Elza Soares, cantora

 

Divulgação
Jamelão

“Quero desejar ao meu amigo Paiva Netto que continue assim, mantendo a LBV no caminho que todos nós conhecemos, aquele de dar apoio aos que necessitam. Um trabalho humano para o povo. Os meus parabéns a essa Legião da Boa Vontade, que é imensa; a esse povo todo que colabora com a LBV. Conheci Zarur em 1946, 1947. [Era] um homem de coração muito bom, um grande amigo. E, sinceramente, o ideal dele está sendo mantido por Paiva Netto. (...) Que todos tenham muitas felicidades.” Jamelão (1913-2008), sambista.

Unidos pelo mesmo ideal

Arquivo BV

Fidelidade — Essa é a tinta mais forte que sobressai na cena que se desenrola acima. Comprometidos com a Causa do Mandamento Novo de Jesus na Terra, Alziro Zarur e Paiva Netto venceram enormes obstáculos. “A LBV é o coroamento de toda a evolução da humanidade”, dizia Zarur. Paiva Netto prossegue, a passos largos, agigantando, material e espiritualmente, os ideais da Legião da Boa Vontade.

A história de Alziro Zarur e a de José de Paiva Netto confundem-se numa só. Sob a direção deles, a Legião da Boa Vontade entusiasma multidões de todo o Brasil e do exterior há sete décadas. Aos 12 anos, José Simões de Paiva Netto recebeu, na porta de sua casa, das mãos de uma bela senhora negra, um opúsculo com explicações sobre a LBV. Era 1953, e esse foi seu primeiro e inesquecível contato com a Instituição.

Em 29 de junho de 1956, data que homenageia São Pedro e São Paulo, Paiva Netto, com 15 anos, ouviu na Rádio Tamoio a canção Noite Feliz, de Franz Grüber (1787-1863) e Joseph Möhr (1792-1848), que antecedia a pregação do fundador da LBV, e achou muito curioso o fato de a música natalina ser veiculada em plena metade do ano, por ocasião dos festejos juninos, “numa grande ação de marketing do Bem”. Lembrou-se de ter lido o nome de Zarur (que considerou forte e sonoro) três anos antes, na referida publicação. Disse, então, em 1956, à sua estimada mãe: “Mãe, é com esse que eu vou!” A partir desse momento, de corpo e Alma, passou a colaborar voluntariamente na LBV.

Paiva Netto percebeu que era hora de falar pessoalmente com aquele que o despertou para a Causa da Boa Vontade de Deus (Evangelho, segundo Lucas, 2:14) e do Novo Mandamento de Jesus (Boa Nova, consoante João, 13 e 15). Com determinação e levando consigo sua querida irmã, Lícia Margarida de Paiva (1942-2010) dirigiu-se, em 28 de junho de 1957, à noite, ao bairro Lins de Vasconcelos, no Rio de Janeiro/RJ, onde, após muita insistência, convenceu o jovem porteiro da Casa de Luciá a anunciar sua presença ao criador da LBV, que ali residia. Zarur, ao recebê-lo, exclamou: “Ô rapaz! Até que enfim apareceste. Há quanto tempo eu estava te esperando!...” Foi um reencontro de Almas compromissadas com Jesus.

A realidade da Vida Eterna sempre foi pauta das pregações de Alziro Zarur. Tendo plena convicção da sobrevivência do Espírito após o fenômeno da morte, Paiva Netto perpetuou o trabalho iniciado pelo radialista carioca, quando este retornou ao Mundo Espiritual, em 21 de outubro de 1979. No dia seguinte, estando à beira do túmulo do saudoso fundador da LBV e diante de uma multidão de Legionários da Boa Vontade e do povo em geral, assim que fechou a campa, tomou a palavra e, com voz forte e acentuada eloquência, bradou: “O corpo de Alziro Zarur está aqui, neste túmulo, mas o Espírito dele encontra-se na Legião da Boa Vontade. Vamos para lá!!!” A massa, então, respondeu, sob grande impacto e comoção: “Vamos!!!” E todos se dirigiram, firmes e renovados, para a continuidade do apostolado na Instituição.

Durante quase um quarto de século, o jornalista, radialista e escritor Paiva Netto foi um dos principais assessores de Alziro Zarur, sendo, oficialmente, nomeado por este, secretário-geral da Legião da Boa Vontade (cargo equivalente ao de vice-presidente), e, com o falecimento do fundador da LBV, naturalmente o sucedeu, levando a Obra a alcançar progresso vertiginoso, fato emblemático de um espírito fiel, prático e realizador.