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Marco da Fraternidade Ecumênica

30 anos do Templo da Boa Vontade

Confira o conteúdo completo da revista BOA VONTADE 70 anos da LBV

Um teto para a humanidade

José Gonçalo

Desde que foi inaugurado, em 21 de outubro de 1989, o Templo da Boa Vontade (TBV) já recebeu mais de 30 milhões de pessoas do Brasil e do exterior. É o monumento mais visitado da capital brasileira, segundo dados oficiais da Secretaria de Turismo do Distrito Federal. VISITE! Quadra 915 Sul • Brasília/DF • Brasil • Tel.: (61) 3114-1070 • www.tbv.com.br/conheca

Desde que entrou para a lide da Boa Vontade, em 29 de junho de 1956, José de Paiva Netto sempre esteve preocupado em trabalhar pelo entendimento humano. Foi também por esse motivo que, logo após suceder o saudoso fundador da LBV, Alziro Zarur, em 1979, começou a imaginar um local que corporificasse esse ideal do Ecumenismo sem restrições trazido pioneiramente pela Legião da Boa Vontade.

Em 21 de outubro de 1989, ele inaugurou, em Brasília/DF, o Templo da Boa Vontade (TBV), diante de uma multidão que superlotou a Praça da Paz. A ocasião foi muito especial, porque nesse dia se completavam dez anos da volta à Pátria Espiritual do fundador da Instituição, como forma de homenageá-lo, pois foi ele que, pela primeira vez, sonhou com um templo totalmente ecumênico.

Felipe Moreno/Thiago Bianchi

Vista aérea da Pirâmide de Sete Faces, o Templo do Ecumenismo Divino. Na foto, é possível ver peregrinos caminhando na espiral. 

A Pirâmide da Paz, uma das denominações do monumento, recebe a todos, sem exceção, sendo importante local de manifestação do relacionamento inter-religioso e polo do Ecumenismo Divino, que proclama o contato socioespiritual entre a criatura e o Criador. Por isso, o TBV é conhecido ainda como a Pirâmide dos Espíritos Luminosos ou das Almas Benditas, o Templo do Ecumenismo Divino, pois “os mortos não morrem”, consoante afirma Paiva Netto.

Um lugar que, no dizer de seu fundador, deve acolher os corações e as Almas: “Se há necessidade de um teto para as pessoas se protegerem das intempéries atmosféricas, urgente se faz um local que as abrigue das tormentas do sentimento, esquecidas as diferenças religiosas, ideológicas, políticas, econômicas, de modo que se refaçam espiritualmente, descansando das procelas íntimas. Todo mundo tem uma dor que não conta a ninguém, desde o mais poderoso ao mais simples dos homens, até mesmo os Irmãos ateus”.

Vivian R. Ferreira

A Mandala é uma criação da artista plástica alemã Ula Haensell (1938-1992), elaborada especialmente para o Templo da Paz.

Admirado pela arquitetura arrojada, que reflete a Espiritualidade universalista, o Templo da Boa Vontade foi considerado, pelo tradicional Diário de Notícias, de Lisboa, em Portugal, a maior construção em forma de pirâmide de sete faces do século 20. Eleito em votação popular, ocorrida em junho de 2008, uma das Sete Maravilhas da capital brasileira, é o monumento mais visitado da cidade, conforme dados oficiais da Secretaria de Turismo do Distrito Federal, recebendo anualmente, desde que foi inaugurado, mais de um milhão de peregrinos.

Divulgação TBV
Sala Egípcia, do Templo da Boa Vontade.

Para edificá-lo, Paiva Netto não teve dúvidas: apelou para o povo, sempre presente para apoiar os trabalhos da LBV, desde os seus primórdios. Sobretudo, pôde contar com as mulheres para alcançar esse nobre intento. Primeiro, ouviu os mais velhos, de forma que dessem a sua contribuição. Convocou uma reunião com o Conselho Fiscal da LBV, para quem apresentou a proposta e, sob efusivo aplauso dos Conselheiros, obteve total apoio.

Vivian R. Ferreira

Em frente ao Trono e Altar de Deus, peregrinos realizam a sua oração renovando a sua Fé Realizante.

Desde que lançou a ideia até o último detalhe da construção, o diretor-presidente da LBV acompanhou pessoalmente todas as fases da edificação do Templo da Paz, como o denominou o conceituado jornalista Gilberto Amaral. Nesse intento, foi incansável, deslocando-se semanalmente (com frequência, indo mais de uma vez na mesma semana) a Brasília para vistoriar as obras do TBV. Graças a esse empenho, o Templo foi erguido em tempo recorde: menos de três anos (a Pedra Fundamental da obra foi lançada em 27 de maio de 1986, e a inauguração deu-se em 21 de outubro de 1989).

Conselho de honra do ParlaMundi

Em 21 de outubro de 1992, o dirigente da LBV reuniu no Templo da Paz alguns dos membros do Conselho de Honra para a Construção do Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica (formado por religiosos de diversas denominações e representantes de várias áreas do saber humano que trabalham pela valorização do ser humano e de seu Espírito Eterno). Ao criar esse Conselho de Honra, Paiva Netto propõe a conciliação do conhecimento vigente no mundo físico com o saber infinitamente amplo, situado na dimensão do Espírito Imortal.

Paiva Netto (centro do palco) inaugura o Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, em Brasília/DF, Brasil, em 25 de dezembro de 1994, Natal de Jesus —, com mais de 100 mil pessoas superlotando a Praça da Paz e arredores

Notáveis do Conselho de Honra

O saudoso presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL) Austregésilo de Athayde (1898-1993) foi a primeira personalidade a presidir o Conselho de Honra para a Construção do Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, da LBV. Na missiva encaminhada pelo ilustre jornalista e escritor ao fundador do Templo da Boa Vontade, ele se confessou bastante satisfeito com o convite que lhe foi dirigido para associar-se ao referido conselho: “Com responsabilidade de coautor da Declaração Universal dos Direitos Humanos, apraz-me fazer parte desse egrégio Conselho”.

Vale lembrar que a famosa Carta da ONU — que defende direitos iguais e inalienáveis de liberdade, justiça e Paz no mundo — trouxe imensos avanços para a humanidade, embora ainda hoje se faça necessário promover seu conteúdo, a fim de realmente instituir igualdade de gêneros, povos e nações. Portanto, nada mais natural que o apoio de um dos signatários da respeitável Declaração Universal dos Direitos Humanos a uma iniciativa tão elevada quanto a do ParlaMundi, que humaniza o planeta, tendo como princípio o Espírito Eterno do ser humano.

Essa parceria entre ABL e LBV, aliás, já se formava havia algum tempo, como se pode ler na correspondência endereçada ao diretor-presidente da Legião da Boa Vontade, em 20 de maio de 1992: “Ao jornalista e amigo Paiva Netto: muito apreciaria se o prezado patrício e amigo viesse, numa dessas quintas-feiras à sua escolha, tomar chá na Academia Brasileira de Letras. Assistindo a uma sessão da nossa entidade e expondo-lhe os objetivos de sua organização, criaríamos entre as duas instituições laços de cooperação de recíproca utilidade. Com um abraço afetuoso, Austregésilo de Athayde”.

Após o falecimento do acadêmico, o saudoso jornalista Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000), presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), escritor e também membro da ABL, assumiu a presidência honorífica do conselho. “Manifesto a disposição de aceitar o convite que me foi feito para fazer parte do Conselho de Honra do Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica (...). Não posso deixar de aprovar qualquer movimento de Caridade, sobretudo quando tem a presença de Paiva Netto (...)”, escreveu. Tão logo se abriram as portas do ParlaMundi, o dirigente da ABI também se manifestou: “Ao se inaugurar o Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, apraz à Associação Brasileira de Imprensa congratular-se com a Legião da Boa Vontade, que o inspirou e construiu. Louve-se o propósito de confraternização universal pela Caridade — meta desse movimento que vai de Alziro Zarur a Paiva Netto, atingindo milhões de seres em todo o orbe”.

Hoje, o ParlaMundi é uma realidade e celebra a memória dessas duas grandes figuras brasileiras, como, por exemplo, com o Auditório Austregésilo de Athayde, que funciona no pavimento térreo do local.

(1) O dirigente da LBV com o saudoso jornalista e escritor Austregésilo de Athayde (1898-1993), que foi o primeiro presidente do Conselho de Honra para a Construção do Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica. (2) Dr. Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000), jornalista e ex-presidente da Associação Brasileira de Imprensa.

Nilton Preda

                                   

Em outubro de 1992, Paiva Netto (ao centro) reuniu-se com alguns dos membros do Conselho de Honra para a Construção do ParlaMundi da LBV, no Templo da Boa Vontade. A partir da esquerda: o professor José Jorge (1921-2006), da Federação Espírita Brasileira; o jornalista e publicitário Murilo Felisberto (1939-2007), da Agência DPZ; o sheik Mohamed Benizam, representante islâmico; o líder espírita Teodoro Lausi Sacco (1933-1995); a Irmã evangélica Marlene Bentim (1936-2012); o Pai Jamil Rachid, presidente da União das Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil; os monges budistas Yvonette e Ricardo Mário Gonçalves, do Templo Higashi Honganji; R. R. Roberto, engenheiro-arquiteto responsável pelo projeto e pela construção do conjunto arquitetônico do TBV; João Jorge Saad (1919-1999), fundador da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão; e Haroldo Rocha, chanceler da Religião Divina.

Saudades de Tom

Dias antes da inauguração do Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, em 8 de dezembro passava para a Pátria Espiritual Antonio Carlos Jobim (1927-1994), num hospital de Nova York (EUA), aos 67 anos. Um dos mais destacados incentivadores do ParlaMundi da LBV, Tom Jobim, saudoso expoente da música brasileira e um dos criadores da Bossa Nova, também apoiou a criação deste Fórum da LBV. Tom deixou registrado seu carinho pela iniciativa em um clipe para a TV: “Eu acredito na Vida e gosto de viver. Isso aparece nas minhas composições. Mas agora eu quero convidar você para cantar uma canção diferente. O Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica é a Sinfonia da Solidariedade Universal. No Natal, dia 25 de dezembro [de 1994], em Brasília, será sua inauguração. Eu conto com você”.

25 anos do Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, da LBV

O Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica (o ParlaMundi da LBV) — inaugurado, em Brasília/DF, à zero hora de 25 de dezembro de 1994, Natal de Jesus — tem como missão suprema, conforme definiu o criador dele, o jornalista Paiva Netto, “(...) conciliar o conhecimento vigente no mundo físico com o saber infinitamente amplo, situado na dimensão do Espírito Imortal, numa poderosa força a serviço dos povos (...)”. Segundo explica o dirigente da Instituição, nesse fórum “Cizânia, radicalismos, hostilidades de todos os matizes devem permanecer afastados dos debates e das proposições religiosas, filosóficas, políticas, científicas, econômicas, artísticas, esportivas, e o que mais o seja, pois o ser humano nasce na Terra para viver em sociedade, Sociedade Solidária Altruística Ecumênica (...)”.

Divulgação TBV

Em 25 anos de existência, o ParlaMundi — localizado ao lado do TBV, integra o Conjunto Ecumênico da Instituição — tem se constituído num espaço de debates totalmente novo e revolucionário, oferecendo aos mais variados setores do conhecimento humano oportunidades de discutir os maiores problemas que afligem o mundo. No local, todos são respeitados, pois são irmãos em humanidade, formando a Raça Universal dos Filhos de Deus.

Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV

Fernando Franco

                            

Paiva Netto idealizou e promoveu, no Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, o Fórum Mundial Espírito e Ciência (FMEC), da LBV, um movimento de caráter permanente, realizado pela Instituição. Nas duas primeiras sessões plenárias (2000 e 2004), estiveram reunidos renomados cientistas, pesquisadores, filósofos e religiosos do Brasil e do exterior para que, em conjunto com a sociedade, fosse feito um intercâmbio entre o conhecimento científico e as crenças representadas nessas ocasiões. Na foto, o dirigente da LBV faz a leitura do artigo “Questão de Morte ou de Vida?”, mensagem escrita por ele e dedicada aos participantes do FMEC.

João Preda
Edição de 2000 do Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV.

Na edição de 2004, a palestrante norte-americana Diane Williams (EUA), então presidente do Comitê de ONGs sobre Espiritualidade, Valores e Interesses Globais, do qual a Legião da Boa Vontade é cofundadora, afirmou ter ficado impressionada com o bom resultado dos debates ali ocorridos. Em virtude desse sucesso, a LBV foi convidada a liderar um subcomitê para que diálogos nesse campo igualmente tivessem espaço na sede da ONU em Nova York, nos Estados Unidos. Atualmente, a instituição brasileira participa do corpo executivo do Comitê de ONGs sobre Espiritualidade, Valores e Interesses Globais.

No dia 18 de outubro de 2019, a LBV realiza o Congresso Temático “Investigando Espírito, cérebro e mente”, do Fórum Mundial Espírito e Ciência, no Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, em Brasília/DF. Entre os palestrantes estará o neurocientista norte-americano Andrew Newberg, diretor de pesquisa do Centro Myrna Brind para Medicina Integrativa, do Hospital Universitário Thomas Jefferson, que discursará sobre “Deus, Espiritualidade e o cérebro humano”.

Premiando a Solidariedade Mundial

João Preda
rgb(255, 255, 255);">Comenda da Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumênica.

Para homenagear personalidades que se distinguem nas respectivas áreas de atuação em prol da Paz e da Solidariedade no Brasil e no mundo, Paiva Netto instituiu, em 1996, a Comenda da Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumênica. Dentre os que receberam a Comenda da LBV destacam-se os estadistas Mário Soares, ex-presidente e ex-primeiro-ministro de Portugal, e Nelson Mandela (1918-2013), Prêmio Nobel da Paz de 1993 e primeiro presidente negro da África do Sul, de 1994 a 1999; o dalai-lama Tenzin Gyatso, líder tibetano e Prêmio Nobel da Paz de 1989; o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan (1938-2018); o médium espírita Francisco Cândido Xavier (1910-2002); e dom Hélder Câmara (1909- 1999), ex-arcebispo de Olinda e Recife.

Leila Marco

Paiva Netto (C) entrega, em abril de 1997, ao estadista português Mário Soares (E) e a Pelé, o Atleta do Século 20, a Comenda da Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumênica, do ParlaMundi da LBV.

 

Além deles, grandes nomes de diversos ramos da sociedade foram homenageados pela sessão especial da Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumênica, entregue nos Estados Unidos, por ocasião do Brazilian Day Festival in New York. Realizado no coração de Manhattan, para celebrar a Independência do Brasil, o festival recebe todo ano mais de um milhão de pessoas, firmando-se como uma das mais populares festas daquele país.