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Mãe vende balas em ônibus e conta com ajuda da LBV para garantir futuro da filha

"As pessoas que às vezes tiram 10, 20 reais para doar para a LBV estão fazendo algo que realmente está tendo um retorno verdadeiro”.

Após ficar desempregada, Simone Fernandes ficou em um dilema: tirar sua filha Angela das atividades que participava durante todo o dia (a escola e o programa Criança: Futuro no Presente!, da LBV) ou perseverar pela educação da filha. Buscando uma opção para a sobrevivência da família, ela então resolveu vender balas nos ônibus enquanto a primogênita estuda e participa das atividades na Legião da Boa Vontade, em Brasília/DF.

Karina Dametto

Por não ter emprego fixo, Simone corta um dobrado para dar conta das despesas. Mesmo grávida – quando recebeu nossa equipe em sua casa já estava com sete meses de gestação – segue sua rotina de levantar antes de o sol sair e, por volta das 5h30, já está embarcando no primeiro ônibus do dia, que a leva do Jardim Ingá, em Goiás, para Brasília, no Distrito Federal. São 40 km entre a casa de Simone e a Legião da Boa Vontade.

De manhã, ela deixa Angela na escola regular. “A tarde é a LBV. O Centro Comunitário de Assistência Social me apoia muito e me ajuda muito! Ela fica durante a tarde enquanto eu continuo trabalhando. [A venda das balas] é minha única fonte de renda, não é uma coisa que todo dia eu consiga tirar um dinheiro bom”.

Em um tempo de desemprego em alta, o trabalho informal, como o de Simone, é o que tem ajudado muitos brasileiros a não passar necessidade. Segundo dados do IBGE de agosto de 2017, o Brasil tem atualmente mais de 13 milhões de desempregados. A parcela da população que se vira por conta própria, sem carteira assinada ou qualquer direito trabalhista assegurado, é formada por 22,6 milhões de pessoas.

Simone faz parte desse número que busca seu sustento do jeito que pode e relata que a situação não é fácil. “O que a gente passa uma dificuldade é cortando uma luz, uma água, o aluguel sempre atrasa... Todos os dias você tem algum dinheiro na sua mão, mas todo dia tem alguma coisa para resolver. Dificuldade a gente passa, sim, mas vai levando”.

Na casa simples e afastada onde vive no aguardo de Carlos Aristides, que ainda está em seu ventre, Simone chega sempre ao entardecer. Ela e a filha sempre enfrentam trânsito no caminho de volta para casa. A causa é o grande número de trabalhadores que, assim como elas, têm suas atividades no Distrito Federal e são acolhidos pelas cidades do estado de Goiás para morar, já que o custo de vida é menor.

Já em casa, a cestinha de doces é organizada para o dia seguinte. Nesta época que antecede o Natal, um item extra é preparado por Simone: pequenas árvores natalinas feitas de doce que serão vendidas no dia seguinte. “Quando eu fiquei desempregada, meu irmão, que trabalha numa loja de doces, me deu a cestinha repleta de mercadorias. (...) Gosto do que faço porque estou perto da minha filha, eu sei que ela está de manhã na Escola e à tarde na LBV, e sei que se acontecer alguma coisa vão me ligar e eu posso correr lá e resolver logo. Tem essa facilidade”.

LBV: parceira nos cuidados com Angela

Quando buscava um lugar onde deixar a filha para poder trabalhar, na época ainda de carteira assinada, Simone foi aconselhada pela Escola da menina a buscar a Legião da Boa Vontade: “A própria escola me indicou a LBV, onde a criança fica no período contrário da escola. A Angela chega, almoça, faz a tarefa de casa, quando eu chego para buscar ela já lanchou. É um lugar onde ela fica, e eu fico despreocupada. Quando a LBV surgiu foi uma grande ajuda”.

Karina Dametto

Para uma mãe que busca sozinha o sustento da família, a Instituição dá um apoio crucial: “A LBV me ajuda muito, porque se eu não tivesse a LBV eu teria que trabalhar só de manhã, ou pagar alguém para cuidar dela, e tendo a LBV eu posso trabalhar o dia inteiro e obter a minha renda”.

Os valores ecumênicos trabalhados pela Instituição são um diferencial na educação de Angela: “A importância que eles dão para a amizade, ao respeito, ao amor, tanto que as turmas têm nomes assim: carinho, amor, [com] esses valores a LBV ajuda muito na educação deles”. A empolgação da menina ao participar das atividades é sempre compartilhada com a mãe: “Ela sempre chega mostrando a atividade que ela fez, sempre tem umas reuniões mensais [de pais]. Tudo que ela aprende lá, ela sempre chega contando”.

Mesa farta no Natal e cuidado no ano todo

Em 2016, Simone e Angela foram beneficiadas pela campanha Natal Permanente da LBV — o Jesus, o Pão Nosso de cada dia!. “Chega no final de ano e você não tem uma ceia, mesmo morando apenas eu e ela, às vezes você quer se reunir e você não tem. Isso iria acontecer com a gente no ano passado, e graças a essa ajuda que a LBV nos proporciona com essa cesta, a gente recebeu e dá para ajudar bastante durante o final de ano!”.

Durante todo o ano, o amparo da Instituição é fundamental para Simone e milhares de famílias brasileiras que lutam por melhores condições de vida: “Por meio das doações eu estou sendo beneficiada, a minha filha está sendo beneficiada de várias formas. Não só com a cesta no final do ano, mas durante todo o ano! Essas doações que são feitas tudo é revertido para as crianças, no lanche que é oferecido, que é de ótima qualidade, ela sempre fala que o lanche é uma delícia, no almoço também, que sempre é nutritivo, não é uma coisa que deixa a desejar. As pessoas que às vezes tiram 10, 20 reais para doar para a LBV estão fazendo algo que realmente está tendo um retorno verdadeiro”.

A você, que já colabora com a LBV e ajuda tanta gente como Simone e Angela a terem melhores condições de vida, o nosso sincero agradecimento.