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LBV no socorro aos desalentados

No primeiro semestre, cerca de 5,6 milhões de desempregados desistiram de procurar trabalho

Allan Passos

A cidade baiana de Juazeiro foi uma das beneficiadas pela campanha emergencial SOS Calamidades, da LBV. Entre os dias 17 e 19 de agosto, 250 cestas de alimentos não perecíveis foram distribuídas a famílias carentes da localidade (ao todo, cinco toneladas).

 

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (referente aos meses de abril a junho), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12,8 milhões de pessoas estavam desempregadas no fim do primeiro semestre. Desses, cerca de 5,6 milhões haviam desistido de procurar um novo emprego por causa das desilusões com o mercado de trabalho, seja pela falta de experiência profissional ou qualificação adequada, seja por serem considerados muito jovens ou idosos ou, ainda, por acreditarem que não há vagas na localidade onde residem. Esses são os chamados desalentados, aqueles que perderam a esperança, apesar de quererem um serviço e estarem disponíveis.

Arquivo BV

Assim, com a pandemia do novo coronavírus, muitos que enfrentavam sérias dificuldades acabaram em situação de extrema pobreza. Atenta a tal circunstância, a Legião da Boa Vontade segue auxiliando esses cidadãos e tantos outros que se encontram socialmente vulneráveis. Por intermédio da campanha emergencial SOS Calamidades, iniciada em março, já distribuiu mais de 1.300 toneladas de doações até agora. Entre os itens, constam cestas de alimentos não perecíveis, alimentos perecíveis, cestas verdes (com frutas, verduras e legumes) e kits de limpeza e de higiene.

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Dessa forma, com a ajuda do povo, a Instituição vem colaborando com a segurança alimentar e sanitária, bem como compartilhando, entre seus atendidos, informações preventivas contra o contágio da Covid-19. Nas páginas a seguir, o(a) amigo(a) leitor(a) poderá ver alguns desdobramentos dessa mobilização solidária, que ocorre em todas as re­giões do país, e perceberá quanto essa ação da LBV devolve a esperança em dias melhores e dá ânimo a tantos que estavam cansados de lutar pela própria sobrevivência.

Rosana Serri

Localizado mais ao sul da capital paranaense, o bairro Caximba está na divisa com os municípios de Araucária e Fazenda Rio Grande. Por 20 anos, funcionou no local o aterro sanitário da cidade, que recebia cerca de duas mil toneladas de resíduos diariamente. Logo após o encerramento das atividades do lugar, no ano de 2010, algumas famílias passaram a ocupar a região de modo irregular, formando a Vila 29 de Outubro, instalada em uma área de proteção ambiental.

Atualmente, nessa ocupação vivem mais de mil famílias em condições de extrema pobreza, que, além da insegurança alimentar, sofrem com as cheias dos rios Barigui e Iguaçu, com o desemprego, a violência, ruas sem asfalto e com a ausência de saneamento básico.

Rosana Serri

Graças ao trabalho da Legião da Boa Vontade, 100 famílias poderão enfrentar a pandemia com mais recursos. No dia 14 de agosto, a equipe solidária da Instituição distribuiu no local três toneladas de doações, entre cestas de alimentos não perecíveis, kits de limpeza, caixas de leite e cestas verdes.

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Assistência a refugiados

Ainda em Curitiba, em 7 de agosto, famílias venezuelanas que migraram para o Brasil receberam, por meio da campanha SOS Calamidades, cestas verdes e caixas de ovos e de leite. Em decorrência da grave crise econômica que a Venezuela enfrenta, milhares de pessoas viram-se forçadas a deixar seu país de origem para escapar do desemprego, da violência, da falta de alimentos e da ineficiência de serviços essenciais. Muitas delas, inclusive,  falam apenas a língua materna, o espanhol, tendo dificuldade em se comunicar, o que acaba sendo mais um empecilho para a obtenção de uma vaga de trabalho.

Rosana Serri

Lilian Dilsia Cubero Bejas e a filha Katheryn, mesmo tendo formação em Técnico Superior em Educação e a jovem em Informática, estão desempregadas, apenas o marido de Katheryn trabalha fazendo “bicos” como pedreiro. Com R$ 1.200 por mês, ele sustenta oito pessoas e mantém a casa que é alugada. As despesas ficaram mais pesadas com a filhinha recém-nascida do casal, que precisa de fraldas e leite.

Ao tentar agradecer à equipe da LBV, Katheryn foi às lágrimas e não conseguiu concluir a própria fala. Só após o calor da emoção, assim se expressou: “Muito bom o trabalho [da LBV]. [Os colaboradores] ajudam muito a gente, que está precisando mais ainda em tempos de pandemia. Só posso falar coisas boas de vocês [da Entidade]. Deus os abençoe muito, em nome de Jesus!”

Junio Alcântara

No aterro sanitário de Cuiabá/MT, a campanha emergencial da LBV beneficiou centenas de integrantes da Coo­perativa de Trabalho dos Catadores de Produtos de Materiais Recicláveis (Coopemar), que tiveram suas rendas afetadas pela crise da Covid-19. Eles receberam, nos dias 10 e 23 de julho, cestas de alimentos não perecíveis e verdes, bem como kits de higiene e de limpeza. “Quero agradecer pelos alimentos, eles chegaram em boa hora. Essa pandemia está complicada, difícil, mas vamos sair dessa. Que Deus abençoe cada um dos que fizeram as doações”, ressaltou Neusa Barbosa de Oliveira, 45 anos.

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“[A cesta de alimentos] fez muita diferença na minha casa, porque eu estava precisando. Você sabe o que é levantar de manhã cedo, olhar [o armário e] não ter açúcar para tomar um café? Nesse dia [da entrega] foi [assim], mas Deus nos abençoou com o ‘sacolão’. Agradeço à LBV, a todos aqueles que doaram um ‘cestão’ ou um pacote de arroz para nós e à [parceira] Mesa Brasil Sesc pela verdura. Eu não tenho vergonha de falar: fazia muito tempo que não comia uma verdura”, revelou Lucimara Abadia de Souza, 51 anos.

Mãe de cinco filhos, criados sem a ajuda paterna, ela trabalha há 12 anos no aterro, de onde retira o mínimo para garantir a própria sobrevivência e a de três netos. “Deus abençoe todos vocês, são anjos que vieram ajudar os catadores”, declarou à equipe da Instituição.

Vivian R. Ferreira

Reencontro de enorme gratidão

Na capital paulista, destaque para a ação realizada na Cooperativa de Trabalho e Produção de Materiais Recicláveis de São Paulo (Cooper Viva Bem). Em 7 de agosto, 112 famílias de funcionários receberam cestas de alimentos não perecíveis e kits de limpeza.

Uma feliz coincidência ocorrida no lugar mostra quanto a LBV está presente, principalmente nos momentos mais difíceis para as comunidades carentes. A cooperada Aline Cristina Domiciano relatou: “A gente agradece muito à LBV e aos colaboradores por estarem nos ajudando. E o legal da situa­ção é rever [a equipe da Instituição]. Quando pequena, estudei na LBV, era maravilhoso. Ver vocês novamente [é momento pelo qual] tenho que agradecer. (...) Vocês vieram aqui para ajudar a gente... ‘Tô’ super feliz! Muito obrigada”.

Renata Lima

Atendida pelo serviço Vivência Solidária, da Instituição, em Maceió/AL.

Raquel Maria da Silva Santos, 46 anos, de Maceió/AL, mãe de três adolescentes assistidos pelo Centro Comunitário de Assistência Social da LBV, está desempregada desde 2005. Sua última ocupação foi como atendente em uma padaria. Atualmente, seu companheiro tenta ganhar alguns trocados ao coletar material reciclável, mas a principal renda do lar provém do Bolsa Família. A casa própria, adquirida com a última rescisão, ainda continua sem reboco e outros acabamentos. Os cinco dormem compartilhando camas e, pela falta de armários, guardam suas roupas em sacos.

Ela interrompeu os estudos na 1ª série do Ensino Médio e acredita que tem sido subestimada na busca por emprego, ainda mais dificultada por apresentar alguns problemas de saúde. “Eu entregava currículo para as empresas, passava o dia todo fora. O que entristece é que, às vezes, olham para a gente, mas, mesmo com o currículo cheio de experiência, [julgam] pela aparência que a gente não tem capacidade”, lamenta-se.

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No dia 13 de agosto, recebeu da Instituição cesta de gêneros alimentícios não perecíveis, cesta verde, kit de limpeza, álcool em gel e máscaras de proteção. Entretanto, para a dona de casa, essa importante e necessária ajuda é apenas uma pequena parte do enorme bem que a LBV tem lhe proporcionado. “(...) Eu não conseguia me aproximar das pessoas. Tinha vergonha do que poderiam pensar da minha aparência. Por causa das reuniões que participei no Vivência Solidária*, fui aprendendo os direitos que tinha, como poderia resolver as coisas, onde deveria procurar [atender às minhas necessidades].”

Ao receber a equipe fraterna da Entidade em sua casa, Raquel fez questão de afirmar quanto o seu coração tem se alimentado de esperança em uma vida melhor, graças à perspectiva positiva que lhe indicam. “Estou felicíssima, porque é muito bom estar perto de vocês, que passam harmonia, alegria, tranquilidade, palavras que fazem a gente ter vontade de viver, de se expressar, falar, agir com coisas boas, (...) palavras que nos fazem acreditar, ter fé, confiar que podemos conseguir algo na vida, independentemente de idade, cor, religião. Isso tudo eu aprendi na LBV.” 

Arquivo BV

cc

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* Destinado a indivíduos dos 18 aos 59 anos, o serviço Vivência Solidária desenvolve ações com o objetivo de prevenir situações de risco, criar e estreitar laços de afetividade entre os participantes, estimular o pensamento crítico e a autovalorização, além de abordar temáticas voltadas ao mundo do trabalho, visando ao desenvolvimento de potencialidades.