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Importância da saúde mental em tempos de pandemia

Especialista na interface da Neurociência na Educação, dra. Camila Leon fala ao Congresso de Educação da LBV sobre este tema.

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A pandemia do novo coronavírus alterou bruscamente a rotina de todas as pessoas. 

No ambiente escolar, como medida preventiva, as aulas deixaram de ser presenciais, o que quer dizer que alunos e profissionais da educação estão passando mais tempo em casa. 

Descanso? Que nada... 

Professores e alunos continuam comprometidos com as aulas, só que agora no ambiente virtual, em aulas remotas ou on-line. E essa nova rotina, aliada ao período de isolamento social, tem causado prejuízos à saúde mental desses indivíduos. 

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Península, desde o início da pandemia, esses profissionais relataram ansiedade perante as aulas remotas e sobrecarga de trabalho. O estudo entrevistou 2.400 professores da educação básica de todo o Brasil, das redes privada e pública, desde a educação infantil até o ensino médio, incluindo diferentes modalidades como a EJA (Educação de Jovens e Adultos). 

O que fazer para manter a saúde mental em dia? 

Arquivo pessoal
Dra. Camila Leon

Camila Leon, doutora e mestre em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), trouxe, em palestra ocorrida durante o 22º Congresso Internacional de Educação da LBV, alguns apontamentos pertinentes à questão. 

Ela também é pós-graduada em Psicopedagogia (UPM); pós-graduada em Ensino e Aprendizagem de Língua Inglesa (UNITAU); graduada em Letras/Língua Portuguesa (UNIVAP) e em Pedagogia (Claretiano-Centro Universitário); membro do Grupo de Pesquisa em Neuropsicologia Infantil da Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

Sobrecarregados 

Muitas pessoas anseiam pela volta à normalidade — ou à 'nova normalidade', como se tem discutido. No entanto, a psicopedagoga explica que é preciso, antes de tudo, superar o período de isolamento social e suas consequências. 

"Independentemente de nosso contexto, acredito que estamos sobrecarregados", explica. 

Conciliar home office com as tarefas de casa e os cuidados com os filhos, animais de estimação, pais ou companheiros tem exigido muito de nossa mente. 

Não à toa, especialistas alertavam, já em março, para os efeitos da quarentena à saúde mental das pessoas.  

"Estresse e ansiedade mais do que dobraram no período de pandemia; quadro de depressão tende a se agravar", reiterou. 

 

Em relação às crianças, Camila citou uma pesquisa realizada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, que indica: 

- aumento da porcentagem de crianças com dependência excessiva dos pais; 
- que elas estão preocupadas; 
- com problemas de sono ou pesadelo; 
- com desconforto e agitação; 
- com sintomas de falta de atenção; 
- e com falta ou excesso de apetite. 

"Precisamos olhar para este contexto e pensar nas consequências, não só para os adultos, mas também para as crianças". 

Então, o que fazer para preservar a saúde mental em meio à pandemia? Camila listou algumas dicas para ajudar a todos: 

6 dicas para manter a saúde mental nesta pandemia 

A pedagoga explica que, ao cuidar de nossa saúde mental, cuidaremos da saúde daqueles que dependem da gente: crianças, pets, adolescentes ou adultos que estão morando com a gente. 

A lógica é simples: quanto mais baixo for o nível de nosso estresse, mais baixo será o estresse das pessoas que nos cercam. 

Anote essas seis dicas: 

1) Encontre alguém com quem você possa conversar sobre o que está sentindo 

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É importante ter alguém de confiança para conversar, seja sua mãe, seu pai, seus amigos, seu marido, sua esposa ou um profissional da área de saúde. 

"Não somos heróis ou heroínas. Somos seres humanos e temos sentimentos. E esses sentimentos e emoções modificam nossos pensamentos e comportamentos. Será que alguma vez você foi grosso com alguém? O que está por trás dessa grosseria? Parar para pensar em nossas emoções, nossos pensamentos e comportamentos só será possível se eu abrir margem para o diálogo." 

2) Evite mídias sociais que fazem você se sentir em pânico 

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É importante nos manter informados? Sim! Mas o excesso de informações pode fazer com que só pensemos nesta situação, aumentando nossas expectativas e gerando medos. 

"Infelizmente, quase que 24 horas por dia, fala-se sobre o que está acontecendo. Se você perceber que assistir em excesso a esses noticiários está fazendo mal, determine períodos do dia para fazer isso. De repente, será uma vez por semana ou uma vez por dia. Selecione um horário para fazer isso, sem que isso lhe cause pânico ou aumente seus sintomas de ansiedade". 

3) Tire um tempo para você 

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Você tem esposa (ou esposo), filhos e precisa preparar suas aulas. Está sobrecarregada(o), certo? 

"É meu papel, enquanto profissional que trabalha na interface da saúde com a educação, falar isso: todos nós precisamos de descanso. E ele pode acontecer em 20, 30 minutos. Sua rotina está puxada? Será que, ao acordar 30 minutos mais cedo, não teria aquele tempinho para assistir sua série favorita ou para praticar uma aula de ioga pela internet? É importante se organizar e ter um tempo para você." 

Se você, baseado em sua atual agenda, acha muito utópico fazer isso diariamente, a professora tem outra sugestão: 

"Tente fazer isso pelo menos duas vezes por semana. É uma maneira de tentar interromper essa rotina que está nos engolindo com uma série de tarefas e sobrecargas." 

4) A importância de ouvir o outro 

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Pare e pense: será que, quando seu filho a(o) procura, você dá atenção a ele? 

"É importante que tenha alguém que possa ouvi-los, porque está todo mundo sobrecarregado, com medo, com níveis de ansiedade e medo altíssimos. De repente, esta pessoa é você. Fazendo isso, vira modelo para que eles façam isso com outras pessoas também." 

Além disso, há outra questão importante: validar a emoção de outras pessoas. 

"Pode dizer: 'você está triste e tem todo o direito de estar assim'. E conversar com essa pessoa sobre o que ela pode e não pode fazer quando está triste. Só que essa conversa sobre o comportamento deve acontecer depois. Primeiramente, é importante validar a emoção dos outros". 

5) Faça uma pausa! 

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"Se você tiver um minuto do seu dia, feche seus olhos, fique em uma postura confortável e preste atenção ao ar que entra. Essa é a dica mais básica para mandar ao nosso cérebro a informação de que está tudo bem." 

Para as crianças pequenas, é possível ensinar a técnica da flor e da vela. 

"Você vai pedir para ela cheirar a flor (inspirar) e apagar a vela (expirar). Você pode fazer isso mais de uma vez, para que a criança aprenda a se acalmar e mande essa resposta fisiológica para o cérebro." 

Camila indicou a pesquisa de outras técnicas de mindfulness que cumprem este propósito. 

6) Saia de cena 

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Se perceber que está ficando irritado com alguma pessoa ou situação, a melhor coisa a fazer é sair de perto para se acalmar.  

"Ao se acalmar, vai conseguir tomar uma decisão e dar uma resposta melhor ao problema que estava surgindo. Isso é fácil? Não é. Mas fazer isso faz com que barremos o comportamento automático, fazendo esse outro movimento, que é parar, pensar na situação, na emoção, se acalmar, de repente usando exercícios de relaxamento, e depois voltar à situação e tomar uma decisão". 

Para quem trabalha com crianças da Educação Infantil, Camila dá a seguinte dica: 

- Fazer com que reconheça seu sentimento, pelo menos as seis emoções básicas: alegria, tristeza, nojo, medo, vergonha e raiva; 
- Parar e pensar; 
- Refletir e respirar fundo três vezes; 
- Pensar em uma solução. 

Esta técnica é conhecida como técnica da tartaruga, de Meltzer.  

"Essas são algumas dicas para você se organizar, pensar em como melhorar a saúde mental, não só para você, mas para todos que dependem de vocês". 

Deixe abaixo o seu comentário sobre a palestra da dra. Camila e a sua experiência em sala de aula para ajudar outros profissionais da área.  

Até a próxima! 

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