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Fome: a segunda pandemia

Para vencer esse triste quadro, a LBV intensifica ação que já entregou mais de 3 milhões de quilos de doação a famílias vulneráveis, em mais de 185 cidades do Brasil, desde o início da pandemia

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Num bairro da periferia de Natal/RN, descobrimos a história de Jaqueline da Silva, 40 anos, com seis filhos em idades diferentes para cuidar, tendo um deles deficiên­cia. Na casa simples, de três pequenos cômodos, o grupo familiar luta bravamente para se manter unido e vencer os desafios diá­rios, que ficaram ainda mais acirrados pela pandemia do novo coronavírus. O medo de não ter o que comer é a maior preocupação dessa guerreira.

+ Este conteúdo consta na edição nº 258 da revista BOA VONTADE. Conheça a publicação!

Kauã Roger

Jaqueline da Silva, mãe solo que aparece aqui com cinco de seus filhos, ressalta que, sem o apoio da LBV, teria de pedir alimentos nas ruas para dar o que comer à família.

A trajetória dessa mãe solo, representa o desafio diário de 10 milhões de brasileiros que não sabem se vão ter uma refeição sequer no dia, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É como se a fome atingisse a população inteira de cada um destes Estados: Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco ou Ceará, por exemplo — nessas unidades federativas, o total de habitantes aproxima-se desse contingente.

A extensa duração da crise sanitária (mais de um ano), que extenua a todos e gera implicações econômicas, emocionais e para a saúde da população, ganha contornos extras para os mais pobres. A alta nos preços dos alimentos mais comuns na mesa do brasileiro e dos produtos de primeira necessidade, como o gás de cozinha, é um exemplo.

Alta de preços e desemprego pressionam os mais pobres

Em um ano, de fevereiro de 2020 ao mesmo mês de 2021, itens básicos do prato de comida feita em casa (arroz, feijão, batata, tomate, carne de segunda e óleo de soja) subiram quase 40%. Ironicamente, a mesma refeição para os mais ricos, com a substituição da carne de segunda pela de primeira (o filé mignon), teve um acréscimo de 31,6% nesse período, porque o corte de segunda aumentou 35%, e o de primeira, 26,9%, conforme informou a consultoria GFK, que audita as vendas no varejo.

Helen Winkler

Junto a isso, pelo menos dois fatores agravaram esse triste quadro: o fim do auxílio emergencial (em dezembro) — com retorno previsto somente para este mês de abril e com valor bem menor (entre R$ 150,00 e R$ 375,00, de acordo com a composição familiar*) — e o crescimento do desemprego recorde em 19 Estados e no Distrito Federal em 2020.

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De acordo com outro levantamento do IBGE, divulgado em 10 de março deste ano, as maiores taxas de desocupação foram registradas no Nordeste e confirmaram que mulheres e negros são os mais penalizados. O índice de desemprego foi de 13,5% no ano, o maior desde 1993, revelou a consultoria iDados. A população sem carteira assinada atingiu a média de 13,4 milhões de brasileiros, 840 mil a mais do que em 2019.

Vivian R. Ferreira

Nesse cenário de guerra, as organizações do Terceiro Setor também sentiram o impacto dessas turbulências, com a elevação de pedidos de ajuda, tendo, contudo, poucos recursos para a tarefa. A Legião da Boa Vontade (LBV) é uma dessas instituições que, desde os primeiros dias da atual crise sanitária, está na linha de frente das ações para tentar conter os impactos sociais e econômicos, protegendo esses cidadãos.

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No mês de abril, a LBV lança a campanha Diga, sim!, para fortalecer essa ação de combate à fome e à insegurança alimentar. Até agosto, a Entidade desafiou-se a arrecadar e distribuir 463 mil benefícios – reforçando suas cestas de alimentos com o leite longa vida, tão essencial para a alimentação na primeira infância.

No texto a seguir, você, amigo(a) leitor(a), poderá conhecer o perfil das famílias atendidas pela Entidade e saber como esse apoio tem salvado vidas, minimizando o sofrimento de milhares de indivíduos.

Helen Winkler

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*No dia 18 de março, foram assinadas duas medidas provisórias (MPs) sobre o novo auxílio emergencial, que deverá ser pago, a partir de abril, em quatro parcelas de R$ 150 a R$ 375 a 46 milhões de cidadãos. A maior parte desse público contará com o valor de R$ 150, cerca de 20 milhões de famílias; 16,7 milhões receberão R$ 250 e, apenas 9,3 milhões de mulheres que são as únicas provedoras do lar, terão direito ao auxílio de R$ 375.