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Em busca do equilíbrio social

Com o diferencial da Cidadania Plena, a LBV capacita seus atendidos para ingressar no mundo do trabalho e, assim, contribui para a redução das altas taxas de desemprego em países emergentes.

Paulo Araújo

Marlon Gomes Barros, de 18 anos, assistente financeiro de uma oficina mecânica em Brasília/DF.

Por Gabriele Elisa Barros

A edição 2018 do relatório “País estagnado: um retrato das desigualdades brasileiras”, produzido pela organização Oxfam Brasil, revela que ocupamos a 9ª posição no ranking mundial da desigualdade de renda, embora sejamos a 8ª maior economia do planeta. Esse é apenas um dos aspectos que englobam a nossa disparidade social, pois ela ainda está associada a outros desafios, entre os quais a pobreza, a falta de acesso à educação de qualidade, a violência, a fome e o desemprego. Este último tem preocupado multidões, sendo assunto recorrente nos veículos de comunicação.

E não é para menos. São mais de 13 milhões de cidadãos sem emprego formal, conforme atesta a pesquisa publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no primeiro trimestre de 2019. Quem mais sofre com essa situação? Os jovens entre os 18 e os 24 anos de idade. Juntos, eles contabilizam mais de 4 milhões do total de desempregados.

Pensando em todos os obstáculos que a população juvenil tem enfrentado em busca da autonomia financeira, a Legião da Boa Vontade realiza várias ações, entre estas o programa Aprendiz da Boa Vontade. Por meio dele, a LBV oferta qualificação profissional e intermedeia a inserção no mercado de trabalho de pessoas na faixa etária dos 14 aos 24 anos que buscam o primeiro emprego ou que ainda não tiveram oportunidade de exercer uma profissão. Enquanto participam de atividades teóricas na Instituição, põem em prática o que aprendem nas empresas parceiras, locais em que são contratados como aprendizes, o que propicia a eles condições de acumular experiências e obter renda formal acompanhada de direitos trabalhistas e previdenciários.

Com a atuação, a Entidade também capacita esses cidadãos, tornando-os conscientes de seus deveres e direitos. Para que sejam aumentadas as chances de seguir carreira na área escolhida, a conclusão da Educação Básica é condição para a permanência deles no programa — o que ajuda a prevenir a evasão escolar —, estimulando a continuidade no sistema educacional, inclusive nos Ensinos Técnico e Superior.

Licenciada pelo Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente do Distrito Federal (CDCA) e pelo antigo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), atual Ministério da Economia, a Instituição oferece cursos de Administração, Logística, Vendas, Varejo e Mecânico de Manutenção de Veículos. Como grande diferencial, agrega em seus ensinamentos valores espirituais, éticos e ecumênicos, incentivando esses jovens a viver a Cidadania Ecumênica.

POTENCIALIZAR TALENTOS E OFERECER ESPERANÇA

Em Brasília/DF, a capital do Brasil, a LBV começou a aplicar o programa no primeiro semestre de 2017, e, até maio de 2019, já passaram por formação 311 aprendizes. Um deles é Marlon Gomes Barros, de 18 anos, residente na Cidade Estrutural, bairro formado pela posse de catadores de material reciclável, próximo ao antigo lixão do Distrito Federal. O jovem é exemplo de esforço e dedicação. Na época em que frequentou o curso de Aprendizagem em Práticas Administrativas, trabalhava em uma empresa parceira, frequentava o Ensino Médio à noite e arcava com outra séria responsabilidade: sustentar a família, composta da mãe (desempregada até então), do irmão caçula e de dois sobrinhos (filhos do irmão mais velho, morto em 2014). “Meu irmão era a alegria da casa; ele ajudava bastante. A partir do momento em que ele se foi, o fato desanimou muito a nossa família. Também [colocou] um peso nas contas”, comenta.

Em meio à dor e a tantas dificuldades, o fato de estar no Centro Comunitário de Assistência Social da Instituição, ambiente fraterno e acolhedor, foi extremamente importante para ele. “A LBV é um lugar onde se tem muito respeito, educação, solidariedade... Nós aprendemos a amar o próximo, a ser educados, a cumprimentar [os demais]. Ali dentro, eu conheci coisas que vou levar para sempre.”

VOLTA POR CIMA
Pelo bom desempenho no emprego, Marlon foi efetivado na empresa e, hoje, é assistente financeiro de destaque. “(...) Eu vou para o trabalho todos os dias feliz”, ressalta. Ao lembrar do passado, sente orgulho do destino que construiu. “Eu era desacreditado; muitas pessoas me desmotivavam pelo fato de eu morar em um lugar pobre. Pensavam: ‘Esse menino não vai crescer, não vai ser nada na vida, ou vai entrar para o crime ou para as drogas’. Mas não [foi isso que ocorreu].”