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Educação Solidária da LBV e desenvolvimento econômico

... Combinação urgente para socorrer os mais vulneráveis

blog.realton.com.br

Qual é a origem da pobreza no mundo? Como explicar o fato de determinadas nações terem enriquecido em curto período de tempo enquanto outras, mais antigas, caracterizam-se por seus altos índices de miséria? Muitos estudos se propõem a explicar esse fenômeno, mas não há consenso na ciência econômica sobre as causas dele. Contudo, a grande preocupação por trás de números, como os do Produto Interno Bruto (PIB) de um país ou os da cotação diária de sua moeda, deveria ser a qualidade de vida dos seus cidadãos, principalmente a dos mais desprovidos de recursos.

Vivian R. Ferreira

MATHEUS HENRIQUE LOMBARDI DE ALMEIDA, 23 anos, é ex-aluno do Conjunto Educacional Boa Vontade, da LBV, e graduando em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC-SP).

De acordo com o Relatório Anual de 2017 do Banco Mundial, uma em cada dez pessoas em todo o planeta sobrevive com menos de US$ 1,90 por dia. O dado alerta para que haja esforço de toda a sociedade para mudar esse triste cenário, como já o fazem  incontáveis pessoas e organizações, a exemplo da Legião da Boa Vontade, que trabalha, há 68 anos, “por um Brasil melhor e por uma humanidade mais feliz”. A Instituição, que possui dezenas de unidades socioeducacionais espalhadas pelo país, é importante referência na promoção da Educação com Espiritualidade Ecumênica — caminho acertado para erguer qualquer povo das dificuldades socioeconômicas em que se encontre.

Pesquisas na área da Economia já atestam o impacto da educação para a melhoria de diversos indicadores sociais. Ela propicia menores taxas de criminalidade; redução da desigualdade de renda; aumento da consciência política; maior conscientização sobre os vícios; entre outros problemas que são superados à medida que o nível educacional da população se eleva. Outros estudos apontam, inclusive, para a forte correlação entre a educação e a melhoria da saúde do indivíduo, visto que pessoas mais instruídas tendem a cuidar melhor da saúde. Poderia trazer muitos exemplos aqui, mas a conclusão é que a educação favorece, dentre outros benefícios, o aumento de renda e, consequentemente, a melhora da qualidade de vida.

Vivian R. Ferreira
O Conjunto Educacional Boa Vontade — formado pelo Instituto de Educação José de Paiva Netto (IEJPN) e pela Supercreche Jesus —, em São Paulo/SP, demonstra que Educação de qualidade, Solidariedade e Espiritualidade Ecumênica são indispensáveis à formação do cidadão pleno. Tais valores refletem a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico, que compõem a linha educacional criada pelo educador Paiva Netto e aplicada, com sucesso, na rede de ensino e nos programas socioeducativos da Instituição. Em um grande totem, ao lado do frontispício do IEJPN, o dirigente da LBV fez colocar esta máxima de Aristóteles (384-322 a.C.), grafada em letras douradas: “Todos quantos têm meditado na arte de governar o gênero humano acabam por se convencer de que a sorte dos impérios depende da educação da mocidade”.

Todavia, para que as mudanças que almejamos efetivamente ocorram, ainda falta algo imprescindível em grande parte dos bancos escolares: despertar nos educandos a “inteligência do coração”, de modo que estes saibam criar soluções para problemas econômicos e sociais com vista não apenas ao próprio bem-estar, mas igualmente ao de seus semelhantes. Afinal, mentes brilhantes poderão dar continuidade às desigualdades sociais se não forem iluminadas pelo espírito altruísta e ecumênico.

“O ser humano de coração bem formado, por princípio, será incapaz de fazer da Economia o caminho para a miséria de multidões.”

Paiva Netto

Sustento essa ideia com base na formação educacional que obtive na própria LBV. Aos 2 anos de idade (na década de 1990), ingressei no Conjunto Educacional Boa Vontade, formado pela Supercreche Jesus e pelo Instituto de Educação José de Paiva Netto, em São Paulo/SP. Ali, recebi a Educação Básica, que não se restringia a transmitir apenas o conhecimento teórico, pois as aulas também abordavam bons valores, os quais inspiravam em mim e em meus colegas o uso solidário de cada lição assimilada. Até concluir, em 2013, o Ensino Médio no mesmo estabelecimento de ensino, fui incentivado a desenvolver minha capacidade intelectual somada à empatia com a realidade de vida do meu próximo. Graças às experiências que tive no ambiente escolar, considero que a concretização de possibilidades mais justas e igualitárias às populações do mundo e de um desenvolvimento econômico sadio — inclusive pela perspectiva do respeito ao meio ambiente — passa pelo crivo de “cérebro e coração”* unidos; isto é, do raciocínio fundamentado pelos sentimentos educados para o Bem, culminando em ações proveitosas para todos.

Por tudo que aprendi na Entidade (e aplico atualmente na minha graduação em Economia), acredito na Solidariedade como o caminho para o progresso sustentável, que urge ser globalizado. A educação iluminada por esse princípio ético-solidário resultará em gerações mais comprometidas com o bem-estar da sociedade, com a felicidade de todos e com ações que dignifiquem a vida humana.

Diego Ciusz

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*Eis o lema das escolas da LBV: “Aqui se estuda. Formam-se cérebro e coração”. Com essa assertiva do educador Paiva Netto, a Instituição inspira crianças e jovens a vencer não só os desafios na carreira acadêmica, mas em todos os âmbitos da existência.

Este conteúdo consta na revista BOA VONTADE nº 246, de outubro de 2018. Para obter seu exemplar digital, baixe o aplicativo BOA VONTADE Magazine, disponível gratuitamente na Google Play e na App Store.