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Doação de Pele: saiba por que doar

A doação de pele não desfigura a aparência do doador. Gesto pode ajudar a salvar vítimas de queimaduras e acidentes.

Shutterstock

Doação de pele

Já explicamos por aqui que a doação de órgãos e tecidos, em caso de doador falecido, precisa ser permitida pela família. É assim também com a doação de pele. Ela só é feita com autorização familiar.

Portanto, para quem deseja ser doador, o melhor mesmo é avisá-los.

Neste post, falaremos especificamente sobre a doação de pele, um gesto que pode ajudar pessoas com graves queimaduras, que sofreram acidentes ou que tenham problemas cutâneos.

Mas o que você sabe sobre a pele?

Trata-se do maior órgão do corpo humano, sendo dividido em camadas:

A epiderme (parte externa) e a derme (interna). Há ainda a hipoderme ou tela subcutânea.

Em conjunto, agem como uma barreira natural do organismo, protegendo contra a entrada de organismos invasores e os efeitos da radiação, regulando a temperatura corporal e reservando nutrientes, além da função sensorial que exerce, claro.

Por que fazer doação de pele?

Em um acidente grave, a pele nas regiões das feridas pode começar a morrer.

Quando esse órgão é afetado, a pessoa corre riscos de infecções. É necessário cobrir os ferimentos.

Estima-se que duas mil pessoas faleçam no Brasil todos os anos em decorrência de queimaduras.

Além de diminuir o risco de infecções, o transplante ou enxerto de pele evita desidratação, ajuda na cicatrização de feridas e alivia a dor.

Mas é um curativo biológico temporário, como explica a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre/RS, que gerencia um dos bancos de doação de pele no Brasil.

A pele enxertada se adapta ao órgão e o regenera. Mas há a rejeição, que varia de acordo com a pele alógena recebida, que destrói o enxerto. Em casos de transplantes entre diferentes espécies, as taxas de rejeição são altas.

É assim que funciona o transplante de pele

Quando um possível doador falece (morte encefálica ou cardiorrespiratória), a família é indagada se deseja fazer a doação dos órgãos e tecidos, inclusive com relação à doação de pele.

Algumas famílias, em um momento de dor, por imaginarem que a doação desfigurará o corpo do doador e comprometerá o velório, negam a doação de pele. E é preciso respeitar a vontade da família.

Porém, do doador, são retiradas finas camadas de pele (cerca de 1,5 mm), em áreas que não aparecem num funeral, como a parte interna das coxas ou as costas, por exemplo.

Caso aceitem, o material é colhido e examinado, para descartar doenças e contaminações. Após a preparação, é enviado a um dos bancos de pele, armazenado, para futuramente ser utilizado.

Tipos de enxerto

  • Autoenxerto — o receptor recebe a pele do próprio organismo;
  • Isoenxerto — a doação de pele é retirada do irmão gêmeo univitelino do receptor;
  • Aloenxerto (Homoenxerto) — o receptor recebe a pele de outro doador, que é da mesma espécie;
  • Xenoenxerto (Heteroenxerto) — o receptor recebe pele de animal de outra espécie (comumente, de porcos).

Bancos de Doação de Pele no Brasil

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda um banco de pele para cada município com população maior que 500 mil habitantes.

São 38 cidades brasileiras com população acima deste número.

Entretanto, apenas quatro municípios possuem bancos de doação de pele. Veja a lista:

  • Curitiba/PR | Banco de Pele Humana do Hospital Universitário Evangélico
  • Porto Alegre/RS | Banco de Pele Dr. Roberto Corrêa Chem Santa Casa de Misericórdia
  • Recife/PE | Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip)
  • São Paulo/SP | Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC/USP)

O tecido pode ficar armazenado nos bancos por aproximadamente dois anos.