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Doação de cordão umbilical e placentário: entenda melhor

O sangue do cordão umbilical pode ajudar no tratamento de mais de 80 doenças

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ricos em células jovens, podem originar todas as células do sangue.

Com o avanço da Medicina, surgiu uma esperança para pacientes que enfrentam doenças relacionadas ao sangue, aquelas chamadas de hematológicas. A doação de cordão umbilical e placentário pode ajudar no tratamento dessas pessoas.

Mas por quê?

Bem, o cordão umbilical é extremamente rico em células jovens, que podem originar todas as células do sangue.

Sendo assim capaz de originar células para todos os 216 tecidos do organismo humano.

E por se tratarem de células imaturas, elas não precisam ser totalmente compatíveis com quem as recebe.

Então, um material que seria descartado após o parto é a chance de cura para muitas pessoas.

Aliás, a doação de cordão umbilical pode servir tanto para transplantes de células-tronco sanguíneas quanto para pesquisas científicas.

Diferenças entre doação de cordão umbilical e de medula óssea

Fazendo uma comparação com o transplante de medula óssea, por exemplo, a exigência para a compatibilidade é menor.

Outra vantagem, conforme esclarece o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), é que essas células estão imediatamente disponíveis.

Quando se trata do transplante de medula óssea, é necessário submeter o doador a um procedimento cirúrgico.

Entretanto, ambas as doações são gestos de grande nobreza.

Somando o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), a Rede BrasilCord (bancos públicos de doação de cordão umbilical e placentário) e doações internacionais, mais de mil pacientes brasileiros foram transplantados nos últimos cinco anos. Os dados são da Fundação do Câncer.

Quem pode doar sangue do cordão?

Ao contrário da doação de sangue, a doação de cordão umbilical e placentário não é uma doação universal, ou seja, que pode ser feita em qualquer hospital e por qualquer pessoa.

Somente hospitais credenciados podem realizar todo o procedimento.

Isso porque o programa atende a normas internacionais. É necessário trabalhar a doação com antecedência, planejamento e eficiência.

E são as unidades (logo abaixo no texto) que possuem equipes treinadas e com critérios para coletar.

A princípio, para fazer a doação de cordão umbilical, a gestante deve atender a critérios específicos:

  • Ser maior de 18 anos;
  • Ter realizado pelo menos duas consultas pré-natal documentadas;
  • Estar com idade gestacional acima de 35 semanas na coleta;
  • Não possuir câncer e doenças hematológicas no histórico médico.

Como é feita a doação de cordão umbilical e placenta?

Se você tem vontade de fazer a doação de cordão umbilical e placenta, o ideal é que expresse seu desejo no pré-natal.

Afinal, para a doação de cordão umbilical, muitos bancos necessitam saber a respeito de doenças na família e histórico clínico da gestante.

São feitos exames para verificar se há a presença de doenças infecto-contagiosas.

A qualquer momento, até no parto, a mãe pode desistir de doar o cordão umbilical. Porém, nesse caso, o material vai para o lixo, sem salvar vidas.

O procedimento deve ser realizado em uma maternidade credenciada, para um bom aproveitamento do material.

Cerca de 70 a 100 ml de sangue são coletados do cordão umbilical e da placenta após o nascimento, e são drenados em uma bolsa.

Em seguida, as células-tronco são separadas e congeladas.

Todo o procedimento é custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Graças a acordos internacionais, o Brasil consulta redes de bancos de cordão umbilical e placentário de todo o mundo.

Esse intercâmbio permite encontrar doadores compatíveis também nos cadastros do exterior.

Sobre a Rede BrasilCord

No Brasil, a Rede BrasilCord gerencia os bancos públicos de sangue de cordão umbilical e plancentário.

São, até o momento, treze unidades ligadas à rede:

  • Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein, em São Paulo/SP
  • Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário do Hemoce, em Fortaleza/CE
  • Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Planetário do Hemocentro da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/SP da Universidade de São Paulo (USP)
  • Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário do Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas/SP (Unicamp)
  • Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário do Hemominas, em Belo Horizonte/MG
  • Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário do Hemopa, em Belém/PA
  • Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário do Hemope, no Recife/PE
  • Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário do Hemosc, em Florianópolis/SC
  • Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário do Hospital de Clínicas de Porto Alegre/RS
  • Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo/SP
  • Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário do Inca, no Rio de Janeiro/RJ
  • Biobanco do Hospital de Clínicas do Paraná, em Curitiba/PR
  • Fundação Hemocentro de Brasília/DF

Atualmente, o nosso país possui mais de 19 mil bolsas de cordão armazenadas.

Com uma ampliação do número de unidades de coleta de doação de cordão umbilical pelo Brasil (a ideia é chegar a 17), a Rede BrasilCord terá capacidade para armazenar 75 mil bolsas.