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A voz do jovem: Aids sem preconceito

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (Unaids) divulgou, nesta quarta-feira, 16, relatório sobre o impacto da Aids no planeta. Dentre os dados apontados no documento, está o aumento de 11% de novas infecções por HIV no Brasil, entre 2005 e 2013. No ano passado, o país registrou 47% de todos os novos casos contabilizados na América Latina.

Os dados mostram ainda que aproximadamente um terço das novas infecções na América Latina ocorre em pessoas jovens, com idade entre 15 anos e 24 anos.

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Sabendo da importância de se tratar o tema, sobretudo, a prevenção, a Legião da Boa Vontade promove palestras e debates sobre o assunto para esclarecer os jovens atendidos pela Instituição, por meio de suas Escolas e Centros Comunitários de Assistência Social.

Enquanto para muitos pode parecer um tema tabu, falar sobre Aids não é problema para esses jovens. Nas unidades educacionais, por exemplo, a LBV promove a disciplina de Convivência*, na qual os educandos desenvolvem pesquisas e debates fraternos em torno de assuntos da atualidade, a exemplo da doença (o que é, como se transmite, como tratar e, claro, como prevenir), sem vergonha ou medo de se informar, e chegam a conclusões interessantes. Nesse caso, a discussão também é norteada pelo pensamento do diretor-presidente da LBV, educador Paiva Netto, que afirma: "Aids — o vírus do preconceito agride mais que a doença".

Muitas vezes, as pessoas excluem o portador do vírus por falta de conhecimento, e a partir daí gera-se o preconceito. “Existem mitos a respeito da contaminação que precisam ser quebrados. Muitas pessoas discriminam os portadores da doença justamente por não conhecerem completamente o problema”, comenta Sabrina Caetano, de 17 anos.

Na opinião de Priscila Mendes, 17 anos, o preconceito sofrido pelas pessoas é grave e “pode partir da própria família que, assim como a sociedade, pode, muitas vezes, julgá-lo em vez de acolher e compreender”. Essa postura resulta no “abandono que afeta ainda mais o portador do vírus. É nesse momento que ele precisa de mais apoio e solidariedade”, completa Rene Clemente, 17 anos.

Mesmo em tratamento, a pessoa com Aids pode e deve viver normalmente, sem abandonar a sua vida afetiva e social. Ela tem igual direito de trabalhar, namorar, passear, se divertir e fazer amigos. É o que ratifica Amy de Souza, 17 anos: “O portador do vírus pode conviver com as outras pessoas, com a sociedade. Se ele encostar ou simplesmente se comunicar com o outro, não transmitirá a doença”.

Alguns dos alunos do Ensino Médio, do Conjunto Educacional Boa Vontade.

O aluno Matheus Araújo, 18 anos, lembra que existem doenças que matam mais que a Aids — como por exemplo o diabetes, que, no Brasil, mata quatro vezes mais, segundo o Ministério da Saúde — e há outras que podem ser mais contagiosas, transmitidas no ar, como o caso da gripe. Contudo, o preconceito contra os portadores do vírus da Aids tornou-se muito agressivo. “Durante a aula, a professora mostrou um vídeo que simulou que uma das cadeiras de um metrô era especial só para portadores da doença, e várias pessoas passavam e não sentavam. Isso mostra a ignorância das pessoas, porque uma pessoa gripada é mais perigosa para as outras nesta situação do que um aidético”, exemplifica o educando.

Segundo o relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), cerca de 35 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo, sendo que 19 milhões não sabem que estão infectados. E as novas gerações precisam desse conhecimento: “As aulas de Convivência são um espaço para reflexão das nossas atitudes e formação de um futuro melhor para nós e para as novas gerações. Os jovens poderiam evitar trilhar caminhos errados se tivessem um espaço como esse, de alerta e conversa sem preconceitos”, define Priscila Mendes.

Para Carolina Santos, 18 anos, “aulas deste tipo deveriam ser, por lei, incluídas nas escolas, pois ainda falta informação, interesse e empatia. Se não, a ignorância e o preconceito aumentam cada dia mais”. E complementa Marcus Vinicius Scolari, 17 anos: “A discriminação não só contra os portadores do vírus da Aids, mas qualquer tipo de coisa, seja ela religião, opção sexual, etnia, situação socioeconômica, não deveria existir, pois somos todos Seres Humanos, com qualidades e defeitos. Nós devemos respeitar todas essas diferenças”.

Tanto as aulas de Convivência, como as demais que integram o currículo são permeadas pela inovadora proposta pedagógica do diretor-presidente da LBV, formada pela Pedagogia do Afeto e pela Pedagogia do Cidadão Ecumênico. Essa linha educacional direciona a busca do conhecimento sempre com “uma visão além do intelecto”, conforme define o dirigente da Instituição. É assim que, no dia a dia, a intelectualidade recebe o toque da Espiritualidade Ecumênica, sempre aliada à excelência pedagógica, no enriquecimento da formação integral (Cérebro e Coração) do educando. Para ele, apenas desenvolver o raciocínio pode propiciar o desenvolvimento de mentes brilhantes que, no entanto, podem correr o risco de suprimir o sentimento de Solidariedade.

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* Aulas de Convivência — A disciplina de Convivência, criada pelo educador Paiva Netto, convida os alunos para atividades de pesquisa e discussão de assuntos importantes do cotidiano. É aplicada nas redes de ensino da Legião da Boa Vontade em todo o país e exterior.