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Refugiados sírios encontram no Brasil a chance de recomeçar e conhecem a LBV

“Minha família, família dele, tudo ficou lá na Síria."

São Paulo, SP — A Legião da Boa Vontade (LBV) proporcionou um espaço de diálogo entre família de refugiados sírios e alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). O bate-papo rendeu reflexões sobre a urgência do respeito entre as culturas e a importância de preservar a Paz. Conheça abaixo alguns detalhes da história que os sírios compartilharam com os estudantes:

Reprodução facebook

Razan em Aleppo, Síria, antes do início do conflito.

O casal Razan Suliman, 27 anos, e Mohamad Dahhan, 39, ambos nascidos no norte da Síria, enfrentou desafios que muitos de nós jamais poderemos conhecer.

“Ouvíamos 40, 50 bombas por dia perto de casa”, conta o refugiado.

Orlok / Shutterstock.com

A Síria está há seis anos em guerra. Metade da população original do país já deixou suas casas e partiu para outros países, com a esperança de recomeçar.

Eles são de Aleppo, segunda maior cidade da Síria e a mais afetada pela guerra na região e estão no Brasil há quase três anos. O trajeto para chegar até aqui durou meses e Razan conta que a decisão foi tomada quando estilhaços de uma bomba feriram sua família. “A guerra matou 20 pessoas da minha família e 41 da família dele. Foi muito difícil. A gente saiu de Aleppo, foi um dia para chegar até Damasco, depois fomos para outras cidades na Síria, até conseguir chegar no Líbano. Foi uma semana até chegar ao Líbano. Antes da guerra eram quatro ou cinco horas, no máximo. Depois ficamos sete dias na rua esperando ônibus”.

Érica de Oliveira

LBV: Como foi quando chegaram ao Líbano?

“Ficamos lá três meses, sem trabalho, sem nada quase. Fiquei muito nervosa. Lá, a vida é muito difícil. Era um quarto pequeno por 300 dólares”, narra a refugiada.

LBV: Vocês deixaram familiares, amigos na Síria?

“Minha família, família dele, tudo ficou lá. Tenho muita saudade de lá. Depois da guerra, eu quero ir lá fazer uma visita”.

Antes de chegar em terras brasileiras, eles tentaram ir para outros países mais próximos, só que foram impedidos. “E a gente pensou vamos para a Jordânia, o caminho [da fronteira] foi fechado. Vamos tentar os Estados Unidos, fechado. Canadá, Austrália, França, qualquer lugar na Europa, fechado. Eu estava cansada, perdemos muito tempo, muito dinheiro, aí eu falei vamos voltar para a Síria aí ele [Mohamad] disse ‘Não, vamos para o Brasil. Brasil é bom’”. Ela seguiu o instinto do marido. Compraram passagens de avião rumo ao aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

No Brasil


LBV: Qual foi a primeira sensação quando vocês chegaram ao Brasil?

“Era tudo diferente. As pessoas falavam e eu não entendia nada. Senti muito medo quando vi o Brasil da janela do avião. Não conheço ninguém. Sabe quando a gente nasce e não tem nada? Foi assim quando chegamos no Brasil, sem trabalho, sem dinheiro, sem nada. Foi um ano pensando em voltar, mas agora estou mais tranquila”.

Dentre tantas adaptações que o casal precisou enfrentar, uma das maiores ainda estava por vir: eles seriam pais. Razan não sabia, mas durante todo o percurso para fugir da guerra, ela já carregava Adan. Seria o primeiro brasileiro de uma família inteira do Oriente Médio.

Luís Villaça

São Paulo, SP - A família mora na região do Cambuci, na capital paulista.

Toda essa história e outros detalhes da experiência de Razan e Mohamad como refugiados sírios foram compartilhados com os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), da LBV, em São Paulo/SP.

Érica de Oliveira

Eles foram convidados pelo voluntário Gabriel Derisio com o objetivo de ajudar na assimilação do conteúdo sobre Atualidades, uma das competências exigidas pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Com o Hijab — vestimenta religiosa islâmica — Razan logo despertou a curiosidade dos alunos e explicou alguns costumes e tradições do povo sírio e árabe. Uma lição de como o respeito entre os povos é essencial para a construção da Paz no mundo: “Conversar com eles [os alunos] foi muito bom. Se, por exemplo, eles encontram alguém igual, não vão olhar estranho para ela, não. Eles vão saber de onde vem ela. Eu gostei muito. Conheci mais gente e agora eles conhecem mais da cultura da gente. Eles são pessoas muito alegres”.

Ao conhecer o trabalho que a Legião da Boa Vontade desenvolve em todo o Brasil, a síria comentou: “Muito bom esse trabalho [da LBV] de ajudar o outro. Isso é uma coisa maravilhosa, muito bom saber que quando alguém passa por um momento muito difícil aqui [no Brasil] tem alguém do lado”.  A experiência também foi bem recebida por Mohamad: “Muito obrigado, eu gostei de tudo”.

Leticia Tonin

Respeito entre as culturas

Há 67 anos, a LBV trabalha pelo amplo desenvolvimento de todos seus atendidos, por isso valores como o Respeito e a valorização da Paz estão presentes em todas as atividades. Nas escolas, os alunos são incentivados, desde muito cedo, a conhecer diferentes culturas, tradições religiosas e a elaborar soluções práticas para os problemas da sociedade, reflexões de grande valia principalmente para os dias de hoje.

Todo esse trabalho é direcionado pela Pedagogia do Afeto (direcionada às crianças de até 10 anos de idade) e pela Pedagogia do Cidadão Ecumênico (que contempla a aprendizagem para a faixa etária a partir dos 11 anos), criadas pelo educador Paiva Netto e aplicadas com sucesso na rede de ensino da LBV. A Supercreche Jesus e o Instituto de Educação José de Paiva Netto, em São Paulo/SP, são referência na aplicação desta inovadora linha educacional, que permeia com valores espirituais, éticos e ecumênicos os conteúdos da matriz curricular da Educação Básica e os conteúdos da EJA.

Conheça de perto o trabalho desenvolvido pela Instituição! Em São Paulo, SP, o Conjunto Educacional Boa Vontade está localizado na Avenida Rudge, 700 — Bom Retiro. Para outras informações, ligue: (11) 3225-4500.